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Archive for janeiro \19\UTC 2007

Resposta ao militante Rui

Posted by tunico em janeiro 19, 2007

ESTOU INDIGNADO E
COMPARTIHO OS SEUS SENTIMENTOS
(Falácias que devem superar para politica de oposição)
1) LULA É INGENUO – Lula é a personalidade politica mais inteligente e competente que temos, senão vejamos? Vindo da classe mais humilde(foi retirante) constituiu o maior partido de esquerda da América Latina e, mesmo com erros, obteve na ultima eleição a maior votação mundial para cargo presidencial e seu partido detem a 2 maior bancada de congressistas eleitos, obtendo a maior votação em legenda do país. Com 2 aliados concorrendo a um cargo importante ele, seria infantil, se jogasse um candidato contra outro, já que, diplomaticamente, chamou-os de filhos, com isso, futuramente terá um, dos 2 simpatizantes, eleito a seu lado, pela demonstração de sabedoria e capacidade politica . Por outro lado cidadãos trabalhadores tem a vida extinta , com familias perdendo patrimônios e parentes, dinheiro publico dissipado e nenhuma demonstração sua de solidariedade e de indignação(será que uma falação presidencial te sensibiliza e é mais importante que vidas humanas, patrimonios de anos de trabalho , emprego dissipados por negligencia e falta de fiscalização? Onde está sua revolta? Perdão, amigo. Eu sei que Lula não é ingênuo. Pode ser ignorante mas ingênuo nunca foi.É muito mais esperto que muito político letrado que tem por aí. Mas chegou onde chegou, amparado intelectualmente e estratégicamente pelos luminares do PT que começaram o partido com ele. Aliás, ele nem queria fundar o partido. Foi incentivado sabe por quem? Golbery do Couto e Silva, numa conversa a dois de pé do ouvido em 1978. Seu partido tem a segunda maior bancada? Eu chamo isso de efeito Lula. Porque se não fosse ele, seria mais um partido nanico.E pode querer negar mas o que tem de gente malandra lá não é fácil, né? Igualzinho aos outros partidos. Isso me deixa preocupado porque a maior votação de legenda, a segunda maior bancada da Câmara é feita de gente tão malandra quanto aqueles que essa gente sempre criticou. Banalizou-se a malandragem. Não entendi o “por outro lado”.Você se refere ao acidente do Metrô? Isso me desagrada. Preferiria que não tivesse acontecido, é claro. Mas pode me revoltar se após as perícias o acidente se revelar causado por má fé, imperícia, negligência e imprudência. Por enquanto eu fico revoltado com a falta de segurança que grassa no país, com o aumento de crianças em trabalho infantil, com os bilhões de reais desperdiçados na mais pura incompetência administrativa e na maior corrupção política que já assisti, na falta de punição aos mentores do mensalão, do caixa-2, dos polítcos que receberam propina comprovada e que até agora não foram para a cadeia, dos dirigentes do PT que iam dar 1,7 milhões de reais a desqualificados para achacar um candidato da oposição, com os mais de 10% de desempregados, na sua maioria da classe média, que sobrevivem de bicos e expedientes.O que aumentou o número de pessoas esmolando ou vendendo quinquilharias nos cruzamentos das grandes cidades nestes últimos 4 anos é impressionante!

2) Ambos os lados tem erros e na realidade estamos canalizando as nossas energias negativas apontando o menos sujo(Serra contra Alkmin por suas contas e gestão estadual, escandalo mal explicado de NOSSA CAIXA, as roupas feitas de encomendas e doadas para madame Lu, a doação para Fundação FHC, operação similar do filho de Lula,….) ao mesmo tempo absorvemos a informação de cachaçaria no planalto, vindo de fontes infedignas, Carlos Humberto ex ministro de Color, ou seja o PARTIDO DA VERGONHA NA CARA, deve apontar não somente os erros de Lula, Zé Dirceu, mas tambem de Serra, Aecio, FHC…e demais. 

Todos os lados têm erros. Aqui ninguém canaliza as energias negativas para apontar o menos sujo. As energias aqui são extremamente positivas para apontar que é sujo e quem não é, seja de que partido for! Queríamos estar blogando para exaltar o que de bom se faz neste país e no mundo mas este espaço é para denunciar, criticar, apontar desvios e desmandos políticos, seja de que lado forem. Me desculpe amigo, mas os escândalos acima se comprovados, são muito menores que os do governo lulo-petista. Perto disso, aquilo é coisa de ladrão de galinha.

A propósito, o jornalista é Cláudio Humberto e não se fala “infedigna” , o certo é “não-fidedigna” . 
3) LULA É ILETRADO, BEBADO E APEDEUTA – êle deve sorrir quando ouve esses argumentos pois em sendo tudo isso consegue ter um conjunto de realizações em vida e administrar bem um país como o nosso, ressaltar uma bolsa esmola(rsrsrs)como vcs chamam e ter o maior índice de popularidade na historia. A propósito a bolsa não é absolutamente uma esmola já que tem contrapartidas, tais como a obrigatoriedade de enviar as crianças para escola…e foi criado pelo FHC. Porque antes não era chamado de esmola?. Trata-se de um grande beneficio social, já que não temos emprego para todos os cidadões isso ajuda a questão financeira , educacional e familiar.
 Pelo que sei, Lula fica muito p… da vida quando é chamado assim.É arrogante por natureza. Quais são suas realizações em vida? Há 20 anos não trabalha, vive de uma aposentadoria precoce por causa do dedo cortado, de um auxílio de perseguido político por ter ficado em cana 48 horas, de um salário como presidente de honra do partido  e agora como Presidente da República. Digamos que a média de rendimentos do cidadão Lula da Silva tenha sido nestes últimos 20 anos uns 6.000 reais por mês que descontando os impostos que todo mundo paga, dá um líquido de 4.200 reais mensais. Ele criou 4 filhos. Nos 20 anos, amealhou um total líquido de R$ 1.092.000,00(com 13. salário)! Declarou patrimônio de R$ 900.000,00. Quer dizer que viveu os últimos 20 anos com R$192.000,00 o que dá 738 reais para comer, passear, pagar aluguel, prestação, escola para uma família de 2 adultos e 4 filhos? Parabéns! Devia ser então Ministro da Fazenda.

Programa assistencial é para curta duração, em cenário de emergência. O que está sendo feito, amigo é dar 65 reais por mês para perenizar a miséria. Está se criando neste país uma geração de vagabundos.O certo é criar emprego e renda. Foram criados nos últimos 4 anos 6 milhões de empregos ao mesmo tempo em que foram demitidas mais de 7 milhões de pessoas. Porisso o índice de desemprego não diminuiu, ficou igual.  Mas o marketing governamental só mostrou o que criou. Não gosto de mentira ou meia verdade.

(A propósito, a palavra certa não é “cidadões” , é cidadãos!)


4) CENARIOS FUTUROS – ampliando os benefícios sociais, que está em plena execução( acrescidos preços estáveis de produtos b´sicos nos supermercados, taxa de inflação controlada, termino dos emprestimos com FMI, risco brasil declinante, cimento e tijolos baratos, emprestimos consignados para aposentados e idosos, ……) Lula é sem duvida o maior eleitor para 2010(senão vejamos , com todas as denuncias e com ajuda dos aloprados, com a midia a favor de Alkmin(ou outro candidatavel), este obteve MENOS voto no 2 turno, tanto nominal e percentual , comparando com o 1 turno e momento algum teve a sua margem e popularidade abalada no periodo eleitoral ) e seu candidato será certamente vitorioso na proxima eleição presidencial. Essa é a preocupação da oposição, que tenta camuflar a dura. 
 

Vamos lá:

Benefício social não traz crescimento pois o dinheiro sai dos impostos, do seu bolso, do meu, do povo que paga imposto. Não vem de empreendimento que gere renda e emprego. Preço estável nos supermercados, assim está há 14 anos, desde o lançamento do Plano Real, salvo alguns desvios( ninguém consegue emitir uma medida provisória abolindo a lei da oferta e da procura), mas estão estáveis, não só pelo governo Lula e sim , por um conjunto de medidas dos últimos 3 governantes, incluindo-se a administração Lula . O risco Brasil declinante é resultado de acúmulo de dólares em caixa o que ocasionou a redução da taxa de câmbio, beneficiando as importações chinesas, coreanas, criando milhares de empregos naqueles países e prejudicando a agro-indústria, a indústria de manufaturas brasileira.Os empréstimos consignados custam mais de 3,5% ao mês , uma verdadeira agiotagem numa inflação de menos de 4 % por ano. Daí a inadimplência que está acontecendo. Lula não será o maior eleitor amigo, porque ele não sabe como fazer o Brasil crescer o que precisa e não crescerá não porque ele não quer mas porque não dá se não diminuir gasto público, incluindo-se aí o Bolsa-Família. Não existe almoço grátis.Alguém paga.

Daqui a pouco vão ter que aumentar imposto para cobrir déficit público.Isso acaba com as empresas pequenas e médias que são responsáveis por mais de 70% dos empregos no país. A preocupação da oposição séria é evitar que o Brasil cresça a merreca que cresceu nos últimos 20 anos.

Em tempo: O governo Lula quitou a dívida com o FMI, certo? Foram 15 bilhões de dólares que custavam 3,5% de juros ao ano(meio bilhão por ano). Por outro lado, sobre uma dívida interna hoje estimada em mais de um trilhão de reais( 470 bilhões de dólares) paga de juros em média, 15%% ao ano (70 bilhões de dólares). Belo negócio né? Só pra dizer que está livre do FMI?

5) Finalizando o desmoronamento na linha 4 do Metro de S Paulo merece uma blogagem coletiva, não acha? 

Não.Não acho. Só quando apurarem as causas e se consignar que houve dolo, imperícia, negligência, imprudência de alguém. Aí pode ser. O que merece blogagem coletiva é pressionar para saber de onde vieram os dólares do Dossiêgate, para pressionar o Congresso a eleger Presidentes independentes do governo, para combater a corrupção, por melhores condições de segurança pública, para seriedade administrativa no trato com o dinheiro público, etc.

Tá bom ou quer mais?

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O uso político do acidente do Metrô em SP

Posted by tunico em janeiro 18, 2007

Sou engenheiro civil militando há 33 anos na área de consultoria e projetos. Não sou um expert na área de construções subterrâneas mas aprendi na Universidade e na vida profissional a usar o que o engenheiro deve ter de melhor. Técnica e bom senso.

O desabamento da parede do poço de acesso da estação Pinheiros do Metrô ocorrido na última sexta-feira, 12 de janeiro, deve ter ocorrido por uma sucessão de erros. Acidentes graves em obras civis só ocorrem por esta causa. Tais erros, só saberemos após a perícia. Antes disso, qualquer suposição será mero chute. Identificadas as causas do colapso do terreno através de estudos e investigações sérias e detalhadas, os culpados aparecerão e as ações corretivas e punitivas decorrerão dos relatórios especializados.

Estamos assistindo pela mídia as coisas mais absurdas como depoimentos de leigos palpitando livremente sobre as causas do acidente, entrevistas com técnicos que não participam diretamente das obras (os chamados engenheiros de obra pronta), gente não qualificada a dar diagnósticos como por exemplo geólogos tergiversando sobre um assunto que não lhes compete como mecânica de solos e geotecnia que é exclusividade do engenheiro civil, eminentes colegas engenheiros civis, especialistas acadêmicos que absolutamente não participaram do projeto nem da obra mas se reservam o direito de criticar aquilo que não viram de perto, jornalistas, apresentadores de televisão escandalosos e mal-intencionados  cobrando providências e punições urgentes do poder público como se tais providências e ações estivessem na prateleira para serem usadas e outras babaquices.

Depois, assistimos o pessoal do Ministério Público, todo engravatado, saído de suas salas refrigeradas direto para o local das obras disposto a indiciar todo mundo antes que alguém especializado diga quem deve ser indiciado.

Finalmente, coisa que já esperávamos, a exploração política do fato adivinhem por  quem? Claro! Pelo pessoal do PT, pedindo uma CPI, exigindo a paralização das obras, culpando o governo tucano, apoiado em declarações dos sindicalistas petistas do Metrô que nunca se conformaram com o fato do contrato desta linha ter sido feito no regime “turn-key”.

O objetivo político dos parlamentares petistas é bombardear o recém-empossado governador José Serra, forte candidato à sucessão de Lula em 2010. A inauguração de parte da obra estava programada para 2008 e se for adiada será um ônus político para o governador de São Paulo.

O regime contratual escolhido pela Cia. do Metrô em 1994 ainda no governo Covas, foi a forma de unificar responsabilidades, reduzir prazos de execução e saber exatamente quanto a obra custaria facilitando a administração do orçamento da Cia. Do Metrô. Antes era muito comum orçar uma obra por um valor “x” e no final ela custar “3x” onde normalmente “2x” eram desperdiçados em má administração e desvios de verbas.Um exemplo disso foi a execução da Linha Paulista do Metrô, obra fácil de ser executada devido ao ótimo sub-solo da região e que custou no final o mais caro metro de túnel do mundo à época (disseram as más línguas à época que para cada real gasto na obra outro real foi desviado para campanha política).

Esta forma de contrato é muito comum em obras de engenharia de grande porte no mundo todo. Por exemplo, o Túnel do Canal da Mancha foi contratado nesta modalidade.

O consórcio vencedor da licitação internacional é constituído pelas 5 maiores empresas de construção pesada do Brasil, com extenso curriculum em obras similares inclusive no exterior. O Metrô de Lisboa foi executado por duas destas empresas.

O projeto básico e conceitual que serviu de referência para a licitação foi elaborado pelas mais conceituadas empresa de engenharia do Brasil, responsáveis pela maioria dos projetos de metrô em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Caracas,  bem como pela extensão do Metrô de Lisboa.

Houve imperícia, negligência ou imprudência? A culpa foi de São Pedro? Foi erro de projeto ou de obra? Não sabemos. Seria uma imbecilidade apontar causas ou culpados neste momento.Teve gente do MP que fez isso, pasmem!

Utilizando o bom-senso, imprescindível nestas horas, é imperioso que se aguarde o resultado das perícias e análises das causas do acidente para então sim, responsabilizar quem de direito e indenizar a quem compete.

O resto é notícia para vender jornal, aumentar audiência e auferir ganhos políticos.

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Discurso de José serra no Palácio dos Bandeirantes (01/01/2007) – Posse do Governo ESP

Posted by tunico em janeiro 3, 2007

Quiseram as circunstâncias da vida e da política que nos últimos cinco anos eu disputasse três eleições majoritárias de grande alcance: a presidência, a prefeitura de São Paulo e o governo do estado de São Paulo.

Na eleição para governador, vencemos em todas as regiões do estado e em todas as classes sociais, por maioria ampla, no primeiro turno. Quando isto aconteceu, lembrei-me do poeta Carlos Drummond de Andrade: “Perder é uma forma de aprender. E ganhar, uma forma de esquecer o que se aprendeu.” Uma reflexão que dispensa provas, mas também pode comportar exceções. Eu procurarei ser uma delas.

Em primeiro lugar, porque já experimentei bastantes subidas e descidas na vida, perfeitas curvas senoidais, para compreender o significado e o acerto da máxima de Kipling, quando nos assegurava que, na vida, ninguém tem o sucesso que acredita nem fracassa tanto quanto imagina. Além disso, porque sei muito bem que eleição confere legitimidade jurídica ao governante, mas a confiança do povo, a única capaz de conferir amplitude e qualidade a essa legitimidade, só se mantém se o eleito for capaz de corresponder às expectativas criadas. Este é um imenso desafio, que começa a ser enfrentado a partir de hoje.
A posse de um novo governante é um verdadeiro rito de passagem, solene. Espera-se de quem vai, um balanço. Espera-se de quem chega, uma projeção, uma sinalização para o futuro.
Para tratar do futuro, neste momento que o país e nosso estado vivem, mais do que repetir os compromissos programáticos e o elenco de ações administrativas que vamos adotar nos próximos quatro anos, reiterados durante e após a campanha, vou falar dos valores e das crenças mais importantes que nos movem a mim e à minha equipe, dos compromissos permanentes com nosso estado e com nosso país. Das grandes preocupações, até das angústias, e de minhas esperanças.
Mencionei a equipe de governo. Aprendi com o governador Franco Montoro: montar o melhor time possível, sem fazer loteamentos político-fisiológicos. Não por ser contra os políticos, pelo contrário, os secretários têm vocação política, mas têm aptidão técnica. E trabalharão voltados para o interesse público e não para as conveniências deste ou aquele partido, grupo ou indivíduo.
Outra coisa que aprendi: nunca concorrer com os subordinados, impedindo que se soltem e adquiram luz própria; nunca estimular ou admitir disputas entre eles, na linha do dividir para reinar. Pelo contrário, a boa vida pública é um jogo de soma positiva. Os que me conhecem sabem que sempre formei equipes competentes e permiti, satisfeito, que cada integrante tivesse suas qualidades e méritos amplamente reconhecidos. Sabem, também, que, apesar da minha injusta fama de centralizador, dou grande liberdade de ação aos que trabalham comigo, dentro de orientações estabelecidas, sempre procurando ampliar os limites conhecidos do possível. Sempre negando que dificuldades signifiquem impossibilidades. Onde talvez eu exagere, mas não estou ainda plenamente convencido de que seja um defeito, é no acompanhamento e na cobrança, notavelmente facilitados pelos e-mails da madrugada…
Aliás, sem ampliar os limites conhecidos do possível jamais teríamos conseguido recuperar a situação financeira da prefeitura de São Paulo em apenas um ano, nem Fernando Henrique Cardoso teria vencido a inflação com o Plano Real. Não preciso me alongar aqui sobre como tem sido nociva, entre nós, a crença no mote tradicional que assegura ser a política a arte do possível. Não, a política deve ser a arte de alargar os horizontes e limites do possível.
Outro mote fatalista e acomodador, até reacionário, é aquele que considera a desonestidade inerente à vida pública, ao garantir que o poder necessariamente corrompe os homens. Não é assim: são alguns homens que corrompem o poder; outros, pelo contrário, combatem a corrupção no poder. Estes são os que exercem o poder como servidores do povo, ao invés de se servirem do governo para seus fins pessoais ou partidários.
O que pretendo enfatizar aqui é a necessidade de uma prática transformadora na política brasileira, que vá além, muito além, de discursos. Não basta que se reconheça a necessidade do bem. É preciso praticá-lo. Não basta anunciar futuro glorioso para o povo brasileiro. É preciso construí-lo. Não basta que manifestemos reiteradamente nossos votos de uma vida melhor. É preciso mobilizar instrumentos e técnica para que ela seja realidade.
Em termos de poder público, aquela prática exige, antes de mais nada, que o Estado seja controlado por ele próprio, que o aparato governamental funcione como um todo coerente, do ponto de vista moral, da eficiência e dos objetivos perseguidos, que aja em em função do interesse público. Nada mais distante disso do que a banalização do mal na política brasileira,das vorazes tentativas neopatrimonialistas de privatização do Estado, que tanto tem prosperado em nosso país.
Em segundo lugar, é preciso que o Estado seja cada vez mais controlado pela sociedade, que esta possa se defender de seus abusos e nele possa influir alterando o rumos das ações públicas, na perspectiva da contínua democratização. E os governos, eu penso, têm de estar empenhados em contar uma parte da história do futuro, antecipando-

se ao erro, cercando suas possibilidades, agindo com planejamento, abrindo o caminho e sinalizando a direção a seguir.
Defendo o ativismo governamental. O poderoso Estado Nacional Desenvolvimentista do passado – produtor, regulador de toda a atividade econômica, patrono de todos os benefícios sociais – não tem mais lugar no presente, mas isto não significa que deva ser substituído pelo Estado da pasmaceira, avesso à produção, estagnacionista. Até porque aquele Estado ficou no passado, mas a questão nacional e a questão do desenvolvimento continuam no presente.
A política da pasmaceira em relação à nossa economia tem consagrado a mais perversa tendência depois de um século de prosperidade: a semi-estagnação, que já se prolonga por 25 anos. Antes de ontem, ela poderia ser explicada pela superinflação devastadora; ontem, pela terapia anti-inflacionária e conjunturas externas turbulentas; mas e hoje? Hoje o Brasil é praticamente o último da América Latina e dos emergentes, apesar da estabilidade de preços e de que o céu da economia internacional é de brigadeiro de seis estrelas. Os resultados ruins não são colhidos da árvore da vida, da fatalidade, mas da fragilidade da política macroeconômica, hostil à produção e aos investimentos. Não tenham dúvida: a fatalidade, no que diz respeito aos povos, quase sempre conta a história de um erro, quando não de uma covardia.
A história dos povos na democracia mostra que o crescimento amplo e rápido da produção e do emprego não traz somente benefícios materiais. Fortalece, também, as instituições e os valores democráticos, favorece a estabilidade política, estimula a tolerância, amplia as oportunidades. Robustece o caráter moral da sociedade, ao melhorar a atitude das pessoas em relação a si mesmas e às outras. Cria laços sociais mais sólidos, melhora a qualidade da democracia! Estamos perdendo ou deixando de ganhar tudo isso, ao contrário do que aconteceu no Chile, em Portugal, na Espanha, no Sudeste Asiático.
Mas entre a estagnação e a estabilidade, o país parece ter preferido as duas. Em nome desta produz-se aquela; em nome da virtude, acabamos escolhendo o vício. É vital para o Brasil, para São Paulo, para todos os estados e regiões do país, a ruptura desse ciclo, que é também intelectual, de ambições modestas e fracassos bem sucedidos em relação ao crescimento econômico. Um país que não cresce acaba não distribuindo renda, mas equalizando a pobreza. A economia da pobreza não pode ter como base a pobreza da economia.
A falta de desenvolvimento pune os mais necessitados; torna-os clientela cativa do assistencialismo. A assistência social é justa e necessária, mas a emancipação verdadeira, sair da pobreza, exige empregos e renda para as famílias, o que só pode acontecer com crescimento econômico. E não há escassez de capital para promover esse crescimento.
Ao contrário, o vertiginoso aumento das remessas de lucros das empresas estrangeiras aqui instaladas e dos investimentos de empresas nacionais no exterior, recursos que se vão a fim de criar empregos lá fora, mostra que não falta poupança ao Brasil para aumentar sua capacidade produtiva e seus empregos – o que falta são oportunidades lucrativas de investimento, espantadas pela pior combinação de juros e câmbio do mundo, em meio a uma carga tributária sufocante.
Serei um militante incansável da Lei de Responsabilidade Fiscal, concebida e aprovada durante o governo do presidente Fernando Henrique, até porque fui o autor do dispositivo constitucional que a possibilitou, porque ela foi feita pelo governo de que eu fiz parte, porque seu espírito presidiu minha atuação na vida pública e porque governo com déficit galopante é governo fraco. Mas, também, vou defender com todas as forças a Lei não escrita da Responsabilidade Social – a Saúde, a Educação, a Cultura, a Segurança.

Sou filho de uma época de incertezas (…) Uma época em que o comércio, a agricultura e a indústria, crescendo e gerando empregos, tinham prestígio, eram mais importantes do que as cirandas financeiras e as especulações dos rentistas que desfrutam as monumentais margens de arbitragem ensejadas pelos juros siderais.
Como é evidente, à oposição cabe… se opor. Não a tudo e a todos, mas ao que, a seu juízo, atente contra o espírito das leis, contra os fundamentos do Estado e contra o interesse público. Isso vale para o Brasil. Isso vale para São Paulo. Esta será nossa melhor contribuição à governabilidade do País.

Não fomos, não somos nem seremos adeptos do quanto pior melhor. Seremos oposição no plano federal justamente porque não somos iguais. Diante de cada projeto de lei ou de emenda constitucional, saberemos separar o que beneficia o país do que o atrasa; os interesses do governo dos interesses do Estado; as conveniências de um partido dos anseios da nação. Em suma: não esperem de mim o adesismo que não se respeita nem a agressão que não oferece respeito.

Temos presente que a governabilidade é tarefa de quem obteve nas urnas o mandato para governar. Não me passa pela cabeça, por exemplo, transferir para a oposição o dever de assegurar a governabilidade do estado que me elegeu. Quem é altivo na derrota não se sujeita. Quem é humilde na vitória não exige sujeição. É assim que se faz uma República.

Por intermédio de seu governador, este estado estende a mão da legalidade e do interesse republicano a quantos queiram colaborar com ele, a quantos queiram colaborar com o Brasil.

São Paulo acolhe, não discrimina. São Paulo é o maior estado nordestino depois do Nordeste; São Paulo tem o maior número de sulistas depois do Sul; de nortistas depois do Norte; de mineiros depois de Minas; de brasileiros do vasto Brasil central depois do Centro-Oeste. A verdadeira identidade de São Paulo é a fraternidade brasileira. E assim continuará a ser no meu governo.

Quero dizer aos paulistas e a todos os brasileiros que podem contar comigo para que tenhamos um País ordeiro, pautado pela estrita legalidade e pela cooperação entre os entes federativos. Mas reafirmo: nem com a humildade que se confunda com sujeição, nem com a altivez que se misture com arrogância. Esta é a cara de São Paulo.

Creio no ensinamento dos filósofos, de santos e de profetas de todas as religiões de que o único jeito de assegurar a si mesmo a felicidade é aprender a dar felicidade aos outros. Meu ideal de solidariedade, de agregar valores, minha melhor forma de servir e de ser feliz é me dedicar aos outros, diminuir seus sofrimentos e lutar por sua felicidade. Por certo não sou tão bom nisso quanto o foram pessoas com as quais tive o privilégio de conviver: Dom Paulo Evaristo, Franco Montoro, madre Cristina – entre tantas que poderia citar.

Mas, para mim, é a única razão pela qual me dediquei à vida pública e não à vida privada. É a minha vocação. Servir à minha cidade, ao meu estado, ao meu país, ao nosso povo.

José Serra – 01/01/2007 – Discurso proferido no Palácio dos Bandeirantes – Posse de Governo ESP

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