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O uso político do acidente do Metrô em SP

Posted by tunico em janeiro 18, 2007

Sou engenheiro civil militando há 33 anos na área de consultoria e projetos. Não sou um expert na área de construções subterrâneas mas aprendi na Universidade e na vida profissional a usar o que o engenheiro deve ter de melhor. Técnica e bom senso.

O desabamento da parede do poço de acesso da estação Pinheiros do Metrô ocorrido na última sexta-feira, 12 de janeiro, deve ter ocorrido por uma sucessão de erros. Acidentes graves em obras civis só ocorrem por esta causa. Tais erros, só saberemos após a perícia. Antes disso, qualquer suposição será mero chute. Identificadas as causas do colapso do terreno através de estudos e investigações sérias e detalhadas, os culpados aparecerão e as ações corretivas e punitivas decorrerão dos relatórios especializados.

Estamos assistindo pela mídia as coisas mais absurdas como depoimentos de leigos palpitando livremente sobre as causas do acidente, entrevistas com técnicos que não participam diretamente das obras (os chamados engenheiros de obra pronta), gente não qualificada a dar diagnósticos como por exemplo geólogos tergiversando sobre um assunto que não lhes compete como mecânica de solos e geotecnia que é exclusividade do engenheiro civil, eminentes colegas engenheiros civis, especialistas acadêmicos que absolutamente não participaram do projeto nem da obra mas se reservam o direito de criticar aquilo que não viram de perto, jornalistas, apresentadores de televisão escandalosos e mal-intencionados  cobrando providências e punições urgentes do poder público como se tais providências e ações estivessem na prateleira para serem usadas e outras babaquices.

Depois, assistimos o pessoal do Ministério Público, todo engravatado, saído de suas salas refrigeradas direto para o local das obras disposto a indiciar todo mundo antes que alguém especializado diga quem deve ser indiciado.

Finalmente, coisa que já esperávamos, a exploração política do fato adivinhem por  quem? Claro! Pelo pessoal do PT, pedindo uma CPI, exigindo a paralização das obras, culpando o governo tucano, apoiado em declarações dos sindicalistas petistas do Metrô que nunca se conformaram com o fato do contrato desta linha ter sido feito no regime “turn-key”.

O objetivo político dos parlamentares petistas é bombardear o recém-empossado governador José Serra, forte candidato à sucessão de Lula em 2010. A inauguração de parte da obra estava programada para 2008 e se for adiada será um ônus político para o governador de São Paulo.

O regime contratual escolhido pela Cia. do Metrô em 1994 ainda no governo Covas, foi a forma de unificar responsabilidades, reduzir prazos de execução e saber exatamente quanto a obra custaria facilitando a administração do orçamento da Cia. Do Metrô. Antes era muito comum orçar uma obra por um valor “x” e no final ela custar “3x” onde normalmente “2x” eram desperdiçados em má administração e desvios de verbas.Um exemplo disso foi a execução da Linha Paulista do Metrô, obra fácil de ser executada devido ao ótimo sub-solo da região e que custou no final o mais caro metro de túnel do mundo à época (disseram as más línguas à época que para cada real gasto na obra outro real foi desviado para campanha política).

Esta forma de contrato é muito comum em obras de engenharia de grande porte no mundo todo. Por exemplo, o Túnel do Canal da Mancha foi contratado nesta modalidade.

O consórcio vencedor da licitação internacional é constituído pelas 5 maiores empresas de construção pesada do Brasil, com extenso curriculum em obras similares inclusive no exterior. O Metrô de Lisboa foi executado por duas destas empresas.

O projeto básico e conceitual que serviu de referência para a licitação foi elaborado pelas mais conceituadas empresa de engenharia do Brasil, responsáveis pela maioria dos projetos de metrô em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Caracas,  bem como pela extensão do Metrô de Lisboa.

Houve imperícia, negligência ou imprudência? A culpa foi de São Pedro? Foi erro de projeto ou de obra? Não sabemos. Seria uma imbecilidade apontar causas ou culpados neste momento.Teve gente do MP que fez isso, pasmem!

Utilizando o bom-senso, imprescindível nestas horas, é imperioso que se aguarde o resultado das perícias e análises das causas do acidente para então sim, responsabilizar quem de direito e indenizar a quem compete.

O resto é notícia para vender jornal, aumentar audiência e auferir ganhos políticos.

2 Respostas to “O uso político do acidente do Metrô em SP”

  1. Jany said

    O problema do brasileiro é exatamente julgar antes de ter a certeza.
    É o que faz vender jornal, revistas…
    Brasileiro é assim, e nunca v ai mudar.

  2. Senhores,
    O acidente, como tantos outros é um fato lamentável. É claro que houve falha humana que a perícia, no momento adequado irá apresentar.

    Porém, é preciso ter responsabilidade entre todos, governo do Estado, imprensa, o próprio Consórcio responsável pela obra e, muito mais os nobres – mais nem tanto! – políticos que pegam carona no oba-oba e aí ficam falando bobagens e fomentando acusações despropositadas. Querem eles, apenas os holofotes!

    O importante é que às famílias enlutadas sejam amparadas, às pessoas que tiveram seus imóveis demolidos, recebam às indenizações correspondentes, justas e os culpados paguem o preço do erro e que a justiça se faça.

    E que a canalhice que ronda os políticos ‘meia boca’ que, inclusive, demonstrando oportunismo falam em criação de CPI, são uns coitados. Não estão representando o povo. Mas jogando o jogo da conveniência para criar dificuldades para vender facilidades e ganhar ‘uns trocos’ á moda da política nacional.

    Gostei da atitude do José Serra em acompanhar o desfecho nos escombros, bem como participar do velório das vítimas. Isso não é politicagem. É respeito. O mínimo que um político – de boa índole – pode fazer. No futuro poderei estar criticando atos falhos do governador de São Paulo. Mas hoje, rendo minhas homenagens a ele.

    Abraços e desculpe o tamanho. Mas a indignação não pode ser medida. Tem que ser sentida!

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