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O sonho de se formar a OPEP do etanol

Posted by tunico em março 3, 2007

A vinda do presidente americano esta semana é uma boa oportunidade da nossa diplomacia para estreitar relações comerciais com o maior mercado consumidor do mundo e agregar valor aos nossos produtos. A participação brasileira nas importações americanas é de apenas 1,4%. Cerca de 25 bilhões de dólares. Já foi bem maior.O México, país cuja economia é bastante similar à nossa participa com 12% das importações americanas.

A gestão lulo-petista (que mais parece uma SUgestão em vez de gestão) voltou-se nos últimos 4 anos para países de menor expressão comercial e para parceiros comerciais não muito confiáveis em detrimento do comércio com os Estados Unidos. A aproximação com a China foi um furo n’água. Os chineses exportam cada vez mais para o Brasil que nós para eles. A Bolívia do “índiota” nos passou uma rasteira. A Argentina vive tentando dar um “passa-moleque” nas nossas exportações. Lula “abriu as pernas” para o Uruguai. O Paraguai quer tirar sua casquinha. O Chavez da Venezuela ainda vai dar o bote em nós.

E exportamos principalmente produtos primários (commodities), sem valor agregado enquanto que compramos cada vez mais principalmente dos chineses e dos países asiáticos, produtos industrializados. A taxa cambial atual é desfavorável aos nossos produtos industrializados. Os recordes recentes devem-se basicamente ao bom preço das commodities agrícolas e de minérios no mercado internacional. Os grandes consumidores mundiais ainda vêem o Brasil como fornecedor de produtos primários.E podem crer. Se o comércio mundial der uma arrefecida em futuro próximo, ficaremos pendurados na broxa.O PAC se estatela. PAF!

Vamos nos concentrar nos americanos e no tema bio-combustíveis :

O consumo de gasolina nos EUA é de 140 milhões de m3/ano. Hoje eles misturam 10% de etanol na gasolina e têm uma meta de substituir 20% da gasolina até 2012.
Considerando que 1 m3 de petróleo (6,3 barris) rende cerca de 200 litros de gasolina refinada, são necessários 12 milhões de barris /dia para atender o consumo de gasolina americano. Para substituir 20% deste consumo, seriam necessários 28 milhões de m3 de etanol/ano. Os EUA produzem hoje 20 milhões de m3/ano em uma área plantada de 8 milhões de ha de milho só para etanol. O Brasil, 17 milhões, em uma área plantada de 4 milhões de ha. O custo de produção de etanol a partir do milho é 2 vezes maior que o etanol produzido através da cana. Os americanos subsidiam seu etanol em 50% para que o produto chegue nas bombas a 3,45 dólares o galão. Aqui no Brasil, somente 20% dos automóveis usam etanol puro. 75% usam gasolina,com adição de 25% de álcool anidro. Isto consome 85% de nossa produção atual. Sobra muito pouco para exportação. Uma minoria utiliza gás natural. Para atender à demanda americana, precisaríamos produzir o triplo de álcool, triplicando a área plantada .

Assim, o ideal seria procurarmos dobrar nossa produção para exportação de etanol anidro(que vale bem mais que o etanol hidratado) utilizando terras ainda disponíveis, o que renderia cerca de 25 bilhões de dólares/ano, dobrando nossa participação no mercado americano e exportarmos nossa tecnologia para países do Caribe, cobrando royalties ou melhor ainda, fazendo parceria com os americanos onde eles entrariam com o financiamento do investimento em plantações e usinas no Caribe, nós com o “know-how”.

Existe um porém. Americano não dá ponto sem nó. Nas entrelinhas da meta de substituir 20% da gasolina por etanol, que corresponde a 2,5 milhões de barris de petróleo por dia, está uma possível drástica redução das importações do petróleo venezuelano. Isso vai quebrar a espinha dorsal do Hugo Chávez.

Só espero que o Pacau, amiguinho de primeira hora do proto-ditador bolivariano não queira dar uma de Evo Morales para cima do Bush, que vai se ferrar. Os americanos contratam nossos melhores técnicos em tecnologia de produção de álcool de cana, investem eles sozinhos no Caribe e em outros países potenciais produtores. O Brasil dança mais uma vez.

7 Respostas to “O sonho de se formar a OPEP do etanol”

  1. Mauro Costa said

    O foco do Brasil no etanol não deveria ser os Estados Unidos, eles nao querem e nunca irao comprar o nosso etanol, eles querem a tecnologia.
    O nosso foco deveria ser paises de ponta com pouca terra e muita sede de ter a chancela de pais ecologico , que devera ser a Bandeira nos proximos anos.

  2. Tunico said

    Mauro, não seria o foco adequado. Tecnologia os americanos compram fácil aqui mesmo.O que está em jogo é uma mistura de oportunidades e política internacional. Temos que nos aproveitar.Os europeus são por demais arrogantes para perceberem sua dependência do petróleo.

  3. Mauro Costa said

    Me aponte uma oportunidade ou uma politica internacional que o Brasil obteve algum resultado positivo junto com os Estados Unidos
    Não acredito em coelhinho da Pascoa!!
    Oportunidade pra quem ? a visita de Bush foi marcado de ultima hora
    Os negociadores que estão por tras da Opep do etanol,são de quinta categoria, são somente fachadas.
    Neste jogo de cartas marcadas, o Brasil faz papel de coadjuvante.

  4. Tunico said

    Mauro, segundo seu entendimento então, tudo isso é fogo de palha.Tem grande chance de ser,concordo.Jogo prá torcida.Vamos esperar para ver. Mesmo porque já que esse governo não faz nada mesmo, se nada acontecer, nada mudou.
    Agora, o difícil será achar que país tem terra sobrando com condições climáticas favoráveis à produção de cana/álcool, tirando o Brasil e os países caribenhos(incluindo Cuba). Talvez o etanol de celulose seja a melhor via.Vou pesquisar.

  5. Mauro Costa said

    Agora como tudo o brasileiro tambem quer levar vantagem, o que tem de projeto no BNDES de Usina, Destilaria,e projetos de Biodisel não esta no GIBI
    Projeção de 01 empreendimento novo ate 2012.
    Garanto que boa parte disso ira para o bolso de alguem.
    Outra questão..o booom esta sendo exportar alcool e o mercado interno? quem cuida?

  6. Tunico said

    Mauro, boa parte do dinheiro irá para o bolso do governo, pois os impostos no caso do álcool anidro, incorporado à gasolina somam cerca de 45%. E 50% da produção de etanol é anidro.A outra metade, de etanol comum é para os carros a álcool e flex.
    Quase toda a nossa produção atual é para o consumo interno(86%).Se aumentar o consumo interno exclusivo de etanol hidratado para 40%, mantendo o alcool anidro como está, a produção deve aumentar 1,5 vez.Isto significa mais 3 milhões de ha de área de plantio o que não é problema pois existem disponíveis cerca de 40 milhões de ha de pastagens degradadas no cerrado e sudeste.

  7. (h) said

    iae povo?

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