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O “imbróglio” Renan sob um ponto de vista atravessado

Posted by tunico em outubro 10, 2007

O “imbróglio” no Senado começou coincidentemente quando a PEC da CPMF foi enviada pelo governo ao Congresso. Na Câmara, já se sabia que o governo teria (como teve) a maioria suficiente para aprovar a CPMF. E mesmo assim, por segurança, o governo convenceu ainda mais os deputados de sua base e mesmo oposicionistas não tão convictos com a liberação de emendas orçamentárias para se garantir. Notem que mesmo assim, a aprovação se deu por uma diferença de 25 votos somente.

 

No Senado, já se sabia que a dificuldade seria e será muito maior. São necessários 49 senadores em 81 para aprovar a CPMF. Para não depender da oposição e dos “independentes” que somam cerca de 35 parlamentares, o governo teria que cooptar senadores de partidos da oposição e contava com Renan para ajudar, mesmo sabendo que o preço a pagar seria alto pelo apoio. Renan tinha e tem consciência que após essa aprovação o governo não vai mais precisar do Congresso e muito menos de Renan para nada até 2010.

Com dinheiro em caixa (só a CPMF injetará se aprovada, 120 bilhões de reais no Tesouro em 3 anos) , arrecadação em alta – Lula deu o sinal que não irá diminuir nem que a vaca tussa,  o Bolsa-Família estará garantido e até em condições de ser ampliado sem a necessidade de corte de despesas de custeio. O governo poderá manter o superávit primário e os investimentos do PAC (e os seus “filhotes”). De quebra, como também revelou Lula esta semana, o governo pode ainda inchar a máquina mais ainda, mantendo o equilíbrio fiscal.

Inchando a máquina com mais “companheiros”, o dízimo aumenta e o PT faz mais caixa para campanha além de fortalecer o Estado lulo-petista, que é seu objetivo principal (não se esqueçam que o PT tem 800 mil militantes doidinhos para se locupletarem às custas do Erário).

Isso tudo tem um objetivo claro. Manter os eleitores que já tem e se possível aumentar o contingente eleitoral favorável, visando a campanha eleitoral do ano que vem e principalmente a de 2010.

Se o Brasil continuar crescendo à razão de 4% ou 4,5% ao ano, com 50 milhões de pessoas pobres – metade eleitores –  beneficiadas por 60 ou 70 caraminguás mensais sem esforço nenhum, o sistema financeiro continuar lucrando como nunca lucrou, o câmbio baixo possibilitando a importação de supérfluos a preços baixos e viagens ao exterior baratas que atendem os anseios da classe média consumista, Lula se quiser elege -como se diz no popular, até um poste como sucessor (até elegeria a Dilma que não é poste, mas parece).

Derrubará as pretensões de Serra ou Aécio, do PSDB. Evitará que eles, podendo aproveitar com competência muito maior que os economistas atuais a continuidade da política econômica de 16 anos, devolvam a hegemonia política aos tucanos e seus aliados. E com certeza, Serra ou Aécio desmontariam a máquina estatal lulo-petista, cortariam gastos públicos, reduziriam a carga tributária, dando impulso ainda maior ao crescimento econômico.

Aí, as pretensões de Lula e seus companheiros de retornarem em triunfo em 2014 é que iriam por terra.

Aí vem o ponto crucial do imbróglio.  A reportagem da VEJA atingiu Renan no peito e no baixo ventre. A permanência de Renan como principal apoio do Executivo no Senado ficou ameaçada. Neste momento entrou em ação nos bastidores a verdadeira eminência parda do poder atual.

O senador Sarney.

É notório o ódio que Sarney devota aos tucanos e em especial a José Serra pela martelada que levou no episódio de sua filha Roseana em 2002. E Sarney quando odeia, odeia de verdade. Com muita bílis no sangue.

Só os incautos duvidam que a absolvição de Renan não foi arquitetada e trabalhada pelo ex-presidente com a ajuda da bancada petista. Renan foi aconselhado a resistir pois licenciando-se poderia ser massacrado pela oposição e pela opinião publicada.

Como outras acusações surgiram o caldo político esquentou. Até os partidos aliados sentiram que o apoio contínuo à permanência de Renan poderia ser prejudicial pois a notoriedade do assunto deixou de ser uma mera opinião publicada para se tornar opinião pública negativa generalizada.

Assim, o PMDB de Renan no Senado ficou isolado. Renan sabe que o governo tem condições de aprovar a CPMF sem ele e em vista disso seu preço para ser imolado ficou bem mais alto. Só que Lula não quer mais pagar Renan.

Sarney sabe também que a partir da aprovação da CPMF, Lula poderia aos poucos descartá-lo e ao seu PMDB, como aliados. É da natureza do Apedeuta. O seu passado recente prova isto. Daí, hoje o preço dessa resistência aumentou e muito.

O assessor que tentou “arapongar” senadores da oposição a meu ver o fez não a mando de Renan mas sim, a mando de Sarney, de quem o assessor é correligionário. O afastamento dos Senadores Simon e Vasconcellos foi obra e arte de Sarney, não de Renan.

É o PMDB de Sarney que quer receber o preço altíssimo (que não é meramente monetário mas principalmente poder e condições de continuar manipulando Lula) para aprovar a CPMF sem Renan.

O PMDB de Renan limita-se ao senador de cabelos longos e idéias curtas e ao senador sergipano, aquele que como diz o Noblat, é “uma voz à procura de uma idéia”.

Dos 21 senadores do PMDB, 3 são “independentes” , 3 são Renan (inclusive ele) e 15 são Sarney. É bom lembrar que Lobão e Tuma já se bandearam para o PMDB.

 

Tudo isto pode ser fruto de uma jogada política muito arriscada de Sarney de um lado e dos assessores de Lula de outro lado pois se a CPMF passar no Senado, Lula vai certamente tentar passar a perna nos aliados do PMDB. Se não passar, a oposição ganha fôlego político. Um alto risco pretensamente calculado. E como toda atividade de alto risco, vai custar muito caro para qualquer parte.

Eu ainda acho que Renan, por sobrevivência política e com a certeza de que também é mais uma laranja chupada a ser descartada por Lula, deve resistir e evitar a aprovação da CPMF mesmo que por linhas tortas. Ficará mais forte. Não duvido nada que tenha sido aconselhado pelos cardeais da oposição. Não duvido também que todo este circo no plenário do Senado seja isto mesmo. Uma pantomima.A fala de José Agripino ontem ameaçando obstruir qualquer votação caso o Conselho de Ética não decida a situação de Renan até 2 de novembro (por que esta data?) me deu um sinal de que Renan está sendo atraído pela oposição.

Neste caso, ele ganharia 20 dias para empurrar com a barriga a votação, a CPMF não seria aprovada dentro do prazo por obstrução aliada à procrastinação do Presidente do Senado em colocá-la na pauta.

Em caso de uma derrota do projeto da CPMF, ele poderia tranquilamente se acertar com seus pares, licenciar-se e achar uma saída “honrosa” para o imbróglio criado.

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