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O perigo do apagão elétrico ronda o Brasil de novo?

Posted by tunico em janeiro 2, 2008

O Brasil deve atingir em 2007 um crescimento de 5,2%. Estimativas feitas por especialistas mostram que a partir de 2008 haverá a necessidade de se adicionar 3.000 MW por ano na potência elétrica instalada do país caso o crescimento se mantenha no nível de 5% ao ano.

A usina de Santo Antônio no rio Madeira entretanto que teve seu início de obras adiado para 2008 só deve operar a partir de 2012 com uma potência de 450 MW que deve atingir em 2016 plena carga de 3.150 MW. A usina de Jirau também no rio Madeira só será licitada em 2008. O que significa que só operará com plena carga (3.000 MW) em 2017.

O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Jerson Kelman, alertou sobre o risco de déficit no abastecimento em 2008 e insistiu na necessidade de acionar as usinas térmicas a partir de janeiro, para aumentar o nível dos reservatórios de hidrelétricas. Segundo ele, a possibilidade de haver algum déficit no suprimento de energia em 2008 – “não importa de quanto, nem que seja de apenas um megawatt” – chega a 28% na região Nordeste, 15% no Norte, 13% no Sul e 10% no Centro-Oeste/Sudeste. O recomendável, pelos padrões de segurança, é um risco de até 5%.

A tese defendida por alguns especialistas de que o Brasil não escapará de uma crise energética nos próximos anos ganhou força com a divulgação dos últimos números oficiais referentes ao consumo brasileiro de eletricidade. Em 12 meses terminados em outubro de 2007, a demanda por energia atingiu o maior volume médio da década, de 376.000 gigawatts-hora (GWh), informou Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia.

Se tivessem que ser acionadas, as térmicas poderiam gerar até 4.157 megawatts (MW) para complementar a base hidrelétrica no Sudeste e no Centro-Oeste. O problema é que boa parte dessas usinas usa o gás natural como combustível, e há escassez do produto para atender todos os consumidores (além das termelétricas, indústrias, residências e veículos).

Mesmo depois de o Ibama conceder licença para as hidrelétricas do rio Madeira e de o governo decidir construir a usina de Angra 3, o risco de apagão continua a rondar o país. De acordo com estudo divulgado pelo Instituto Acende Brasil em outubro passado, que representa investidores em energia elétrica, o risco de faltar energia chega a 32% em 2011.

Apesar do tom alarmista, o estudo do Acende Brasil apresentou alternativas para a falta de energia. De acordo com o instituto, uma das opções é “destravar” as usinas que produzem energia a partir de biomassa, como bagaço de cana-de-açúcar.

O estudo apresentado pelo Instituto Acende Brasil desenhou quatro cenários para os próximos quatro anos. O mais pessimista, considera que obras do setor atrasarão e que o país crescerá 5% por ano, como prevê o governo. Nesse cenário, o risco de racionamento de energia já é grande em 2010, de 14%, sendo de 32% no ano seguinte.

Nos dois cenários intermediários, em que a demanda é alta, mas não há atrasos ou os atrasos ocorrem, mas o país cresce apenas 4%, o risco de apagão é de 28% e 21% respectivamente. No cenário mais otimista, o risco é de 16,5%

A potência instalada no parque gerador brasileiro segundo a ANEEL é da ordem de 100 mil MW, com condições de suprir uma energia assegurada de 52,3 mil MWh médios. O consumo em 2007 foi de aproximadamente 49,3 mil MW médios.
Se o Brasil crescer 5% do PIB ao ano e considerando uma elasticidade de 1,2%, teremos um crescimento do consumo de energia elétrica da ordem de 6% ao ano.

Ao final de 2008, o consumo seria de 49,3 mil x 1,06 = 52,3 mil MW médios; de 2009, de 52,3 x 1,06 = 55,4 mil MW médios; e, de 2010, o consumo seria de 59 mil MW médios, com um déficit de 6,5 mil MW médios. A ANEEL em seu site afirma que deve haver  “nos próximos anos” sem precisar quando, uma adição de 28.719.058 kW na capacidade de geração do País, proveniente dos 107 empreendimentos atualmente em construção e mais 511 outorgados. É no mínimo uma afirmação leviana que leva o leigo a acreditar que tudo está resolvido pois dos 6.516 MW a serem gerados pelos 107 empreendimentos que estão em construção, 60% provêm de usinas hidrelétricas de porte médio para produção independente e que dependem dos humores de São Pedro, 21% seriam de Usinas Termo-Elétricas (UTE’s) na sua maioria movidas a gás natural que é uma incógnita no momento.Não se pode garantir que tais unidades sejam construídas a tempo de suprir o déficit previsto até 2010 pois 99% são empreendimentos privados e que dependem do mercado.

 EMPREENDIMENTOS EM CONSTRUÇÃO (fonte: site da ANEEL)

Tipo Quantidade Potência Outorgada (kW) %
CGH 1 848 0,01
EOLICA 2 48.600 0,75
PCH 66 1.172.300 17,99
UHE 17 3.933.800 60,37
UTE 21 1.360.998 20,89
Total 107 6.516.546 100

 

Os outros 22.000 MW provenientes de 511 outorgas sem construção iniciada até agora, são empreendimentos na sua maioria paralisados sem nenhuma previsão de início. 87% desta energia vem de empreendimentos que demoram em média de 3 a 5 anos para serem concluídos, mesmo que fossem iniciados agora.

 

Empreendimentos Outorgados entre 1998 e 2007
(não iniciaram sua construção)
Tipo Quantidade Potência Outorgada (kW) %
CGH 69 48.715 0,22
EOL 105 4.533.643 20,42
PCH 178 2.712.837 12,22
UHE 21 3.837.900 17,29
UTE 138 11.069.417 49,86
Total 511 22.202.512 100

 

Como não há previsão de entrada em operação de fontes significativas de geração de energia elétrica pública antes de 2010, restará ao Brasil o dilema: reduzir o crescimento econômico a partir de 2009 ou caminhar para um apagão de verdade, com falta real de energia elétrica, e não racionamento, como em 2001.

(fontes: ANEEL, FSP,Valor Econômico, Instituto Acende Brasil)

Uma resposta to “O perigo do apagão elétrico ronda o Brasil de novo?”

  1. Caros,
    Gostaria de saber se conhecem algum projeto de geração de energia a partir da coleta de gás metano. E a noção de inestimento necessário para uma usina que possa produzir energia em um localidade cuja coleta de residuo sólido é de 500t/dia?
    No aguardo de suas considerações, envio cordial saudação.
    Nelson

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