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O perigo do apagão ronda o Brasil de novo? (parte 2)

Posted by tunico em janeiro 2, 2008

Quais seriam as alternativas de geração de energia a médio prazo, sustentáveis e ambientalmente corretas para prevenir um eventual apagão ou racionamento?

1- Bagaço de cana/biomassa

Com a atual produção brasileira de cana-de-açúcar – a previsão para 2008 é de 425 milhões de toneladas -, o País poderia teoricamente produzir 13.000 MW médios com o emprego das tecnologias mais modernas de geração por biomassa (gaseificação). Como o consumo das usinas é cerca de 33% deste valor, 8.700 MW médios de energia elétrica poderiam ser integrados ao sistema nacional. O processo atualmente empregado, por vapor d’água, geraria pelo menos cerca de 25% desse valor. Para produzir energia com o uso do bagaço de cana é necessário investir em torno de 1800 reais por kW gerado, um custo relativamente baixo, especialmente porque depois não há praticamente gastos com combustível. Uma usina média pode produzir 209 kWh por tonelada de bagaço no sistema tradicional. No sistema de gaseificação por leito fluidizado o rendimento é 450 kW por tonelada de bagaço. O custo de investimento é cerca de 4 vezes mais mas o preço da energia no mercado compensa de longe tal investimento uma vez que o retorno é em média de 5 anos.

2- Geração de energia elétrica a partir do lixo

Cada 200 toneladas/dia da fração orgânica dos resíduos sólidos domiciliares são suficientes para a implantação de uma usina termelétrica com geradores a gás metano com a potência de 2 MW, capaz de atender uma cidade de 20 mil habitantes. Isso quer dizer que, se a fração orgânica (60%) de todo o lixo domiciliar brasileiro – que é da ordem de 120 mil toneladas/dia – fosse utilizada para produzir energia elétrica, poderíamos implantar usinas termelétricas com significativa potência(cerca de 1.200 MW).

O sistema de gaseificação por leito fluidizado se utilizado no lixo orgânico, gera uma energia de 30 MWh para cada 1000 toneladas/dia de lixo. Três vezes mais que o sistema de aproveitamento do metano ou incineração. Neste caso, um entrave é o investimento inicial necessário, cerca de R$ 6.700,00 por kW gerado para implantar uma usina deste tipo pois o sistema só é viável economicamente a partir da utilização de 500 toneladas de lixo orgânico/dia. É uma grande solução para as grandes e médias cidades brasileiras. Por exemplo, São Paulo gera 20.000 toneladas de lixo bruto/dia ou 12.000 toneladas de lixo orgânico que poderiam gerar 360 MWh. O sistema de gaseificação tem uma vantagem ambiental adicional pois literalmente acaba com os aterros sanitários em médio prazo e não libera nem gás carbônico nem gases poluentes na atmosfera, somente gases neutros.

3- PCH´s (Pequenas Centrais Hidrelétricas) A PCH é uma mini-usina hidrelétrica que pode gerar entre 1 e 30 MW.

Segundo a ANEEL, atualmente, 2007, a capacidade instalada das PCH’s no Brasil é cerca de 1.700 MW. Estima-se que 34 PCH’s entrem em operação até dezembro de 2008, com potência total de 671,30 MW.

Porém o potencial instalável de PCH’s é segundo a ANEEL de 17.180 MW

Somente 10,11% do potencial está em operação (287 PCH’s com 1.737 MW).

– 6,55% do potencial está em construção (63 PCH’s com 1.125 MW). – 11,30% do potencial está em fase de elaboração do Projeto Básico, o que indica que os empreendedores acreditam nas PCH’s.– Existem 220 Empreendimentos (15,29% do potencial identificado) com Projeto Básico em fase de aceite, equivalente a 2.627 MW.– 20,32% (243 PCH’s com 3.493 MW) do potencial está Outorgado, mas não está em construção.

– 18,34% do potencial está disponível para registro (533 PCH’s com 3.221 MW). Ainda existe um grande potencial para ser explorado.

Perguntas:

Mesmo as condições atuais sendo favoráveis para as PCH’s, por que existem tantos empreendimentos aprovados que não estão em construção?As condições são favoráveis para toda a gama (de 1 a 30 MW) de PCH’s?Será que todos os players apresentam as condições necessárias para desenvolver e construir PCH’s?

Existem 14.249 MW em PCH’s para serem implantados, esse potencial equivale a mais de 2 complexos do Rio Madeira.

4- Energia eólica, energia solar térmica e fotovoltaica

São outras fontes não aproveitadas de forma eficiente por falta de incentivos governamentais.

O maior entrave ao investimento privado em geração de energia no Brasil é o excesso de burocracia e o exagerado estatismo que predomina na mentalidade do atual governo. O tempo para conceder uma licença de instalação de um empreendimento seja de pequeno ou de grande porte varia entre 1 a 4 anos embora a Lei estabeleça que o órgão regulador e licenciador emita seu parecer em no máximo 270 dias. Esse é o primeiro grande passo a ser dado no sentido da prevenção de um apagão seja a médio ou a longo prazo. Reduzir a burocracia e vencer a mentalidade estatizante. Existe uma reinvindicação do setor para que sejam reclassificadas as pequenas unidades geradoras simplificando bastante o licenciamento para unidades com capacidade inferior a 40 MW. Esta seria uma pauta bastante positiva para o governo no ano de 2008. Uma PCH de até 5 MW pode ser implantada em 6 meses. Uma térmica movida a biomassa para 30 MW pode ser construída em 12 meses. Uma térmica aproveitando 500 toneladas/dia de lixo doméstico e gerando 15MW pode ser implantada também em 12 meses.

Assim, se considerarmos que a licença de instalação demore 6 meses em vez dos prazos atuais, poder-se-ia agregar ao sistema até o final de 2009 pelo menos 3000 MW e até final de 2010 mais outro tanto em energia alternativa limpa praticamente zerando o déficit previsto para 2010 e evitando de vez o perigo de racionamento ou até de apagões localizados.

Uma resposta to “O perigo do apagão ronda o Brasil de novo? (parte 2)”

  1. epamy said

    Realmente e de se preocupar com o porque de tantos projetos sem andamento, e outra dificilmente se obtem informaçoes facilitadas , como por exemplo:
    Parte ambiental qual o caminho,indenizaçoes a terceiros como proceder, preço medio aproximado de uma pch tipo com uma vasao de 15m por segundo 30m de queda, quanto ela poderia custar e quanto de energia poderia gerar.
    Isto deixaria mais pessoas em condiçao de verificar suas condicoes finaceiras e se o local poderia ser ou nao viavel. Outra duvida, se voce e proprietario de parte das terras e seu vizinho nao tem interesse o que pode ser feito,estas etapas para pessoas que nescessitam de energia e tem vontade de produzir para sua industria como, e o meu caso se for colocar profisionais para obter estas informaçoes alem de custar caro pode ser dinheiro jogado fora e tempo perdido.

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