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A OPEE (OPEP do Etanol)

Posted by tunico em setembro 11, 2009

Segundo dados que levantei na mídia e na Internet, o Brasil tem cerca de 40 milhões de ha de terras degradadas (pastagens e lavouras abandonadas) no cerrado, no Nordeste e no Sudeste.

Considerando que 1 ha de cana rende cerca de 6.000 l de etanol, temos um potencial teórico de produção de etanol de 192 bilhões de litros anuais(reservando 20% da terra para diversidade ambiental, estradas de acesso/escoamento, etc). Sem desmatamento adicional e invasão de outras culturas.

Isto atenderia com muita folga a meta americana de substituir 20% da gasolina por etanol até 2012(28 bilhões de litros de etanol/ano) e exportar para outros consumidores como a comunidade européia e países asiáticos.Mas isso é teoria.

Cerca de 50% destas terras são pulverizadas, o que inviabiliza de certa forma as mega-usinas nestas áreas, reduzindo o potencial para 96 bilhões de litros/ano por meio de grandes usinas.

A se considerar uma maturação média de 8 anos para os grandes empreendimentos, a exportação poderia atingir só com etanol em 2015, 80 bilhões de dólares/ano.E os restantes 50% de terras pulverizadas? Normalmente são pequenas propriedades. A viabilização de produção de etanol por meio de micro-usinas nestas áreas é o pulo do gato. Mata vários coelhos com uma cajadada só. Inversão da migração para grandes centros urbanos, geração de renda no campo, geração de empregos duráveis, renda estável para os pequenos proprietários, geração de energia entre outras vantagens, como um possível fim do Bolsa-Esmola, dos sem-terra e de quebra, dos MSTs da vida.

Está em curso no Senado um Projeto de Lei da Câmara de autoria do ex-deputado Gilberto Kassab, atual prefeito da cidade de São Paulo, cujo relator é o senador Tasso Jereissatti. Este projeto de lei autoriza o pequeno produtor rural e/ou cooperativas a produzirem e comercializarem o etanol ao consumidor até um volume de 5.000 l/dia .

Se este projeto for à frente, está aberto o caminho para a pequena produção. Uma micro-usina com capacidade para 150 litros/dia custa R$ 10.000 reais para ser implantada (construção da usina e implantação do canavial) e produz nestas regiões numa jornada de 300 dias/ano, 45.000 litros de etanol a 94 graus GL, numa área de 5ha. O custo de produção(inclui manejo, conservação e renovação do canavial) é de R$0,40/litro. Este etanol pode ser usado para consumo próprio do proprietário (estimado em 8% da produção) e a sobra vendida a 1,00 real o litro aos postos da região ou
diretamente ao consumidor final a R$ 1,20/litro, com impostos reduzidos de 10%, gerando renda líquida anual de 22.000 reais ao pequeno produtor e emprego de 3 pessoas por micro-usina, fora a mão de obra dos proprietários.

Suponhamos no limite, considerando o módulo rural básico de 10 ha, que 50% destas terras pulverizadas( 8 milhões de ha) sejam utilizadas para produção de etanol: teríamos 800.000 micro-usinas gerando um total anual de 36 bilhões de litros de álcool/ano. Duas vezes a nossa produção atual. E gerando 2.400.000 de empregos rurais, impostos de R$ 4 bilhões anuais, além de garantirem a subsistência, a auto-suficiência energética dos produtores (seja pelo consumo do etanol em motores, seja pelo uso de bio-digestores de vinhaça que geram gás) e abastecerem o mercado interno.

Eu fiz um projeto de aproveitamento de uma pequena propriedade (12 ha) para implantação de micro-destilaria integrada à bio-digestão que viabiliza a sua auto-suficiência para uma família de 4 pessoas.

Aos leitores: Realmente fiz o projeto mas numa pane de meu desktop, perdi os originais. Assim posso disponibilizar um artigo em pdf com instruções para se montar uma micro-destilaria feita em Minas Gerais. Foi de lá que me baseei para fazer o projeto.

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