Blog do Tunico

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Pois é, amigos. Ainda bem que o Brasil não é Bananal, certo?

Posted by tunico em maio 22, 2007

Para quem não sabe, a República do Bananal é um país tropical em vias de desenvolvimento situado abaixo da linha do Equador em algum lugar do globo terrestre. Região de terras férteis, belas paisagens, grandes rios e florestas, um povo na sua maioria alegre e trabalhador que se diz abençoado por Deus. Mas essa afirmação não corresponde à verdade pois Deus impôs a este povo um tremendo castigo, dando à maioria de sua população a incapacidade sistemática de escolher com sabedoria seus políticos e governantes. Deu no que deu. Bananal há muito tempo tem a pior classe de políticos e governantes do globo terrestre que fazem com que este belo país não consiga sair da mediocridade e emergir com pujança no meio das outras nações da Terra.    

O sistema orçamentário dos diversos níveis governamentais dessa república tropical é normalmente uma peça de ficção que permite emendas parlamentares. São emendas ao orçamento que com o sentido de corrigir o orçamento original, acabam viabilizando obras de interesse de políticos para cumprimento de suas promessas eleitorais. Além dessas emendas, as obras embutidas no orçamento principal, constituem a viabilização das promessas dos detentores dos cargos executivos nos diversos níveis.As empreiteiras de obras públicas existentes em Bananal, correm atrás destas obras pois são a fonte de seu faturamento e sobrevivência. A maioria das empreiteiras participa das licitações normalmente. Seus departamentos comerciais ficam atrás das publicações de Editais nas diversas repartições e autarquias ou nos Diários Oficiais e ao detectarem a oportunidade adquirem o Edital e participam normalmente. Até aí, tudo bem. Se ganharem a concorrência, fazem as obras, recebem e pronto. 

Há muitos anos em Bananal as obras públicas são fonte de corrupção.  

“Para haver corrupção, é preciso que haja dois lados propensos a tal prática. O corrupto e o corruptor”. 

Onde entra a corrupção em Bananal?

Entra aqui. Alguns políticos e membros do Poder Público de Bananal não se contentam em realizar obras de interesse público. Querem tirar proveito pessoal e para isso, precisam de pessoas ou empresas que compactuem com seus objetivos pessoais. No universo privado de Bananal, existem pessoas e empresas que também querem obter proveito fácil da dinheirama pública disponível destinada à realização de obras. São estradas, pontes, viadutos, ferrovias, barragens, adutoras, redes elétricas, de esgoto, de irrigação, hospitais, escolas, creches, prédios públicos, praças, ruas, de todos os tipos e tamanhos passíveis de serem licitadas tanto no orçamento como através das emendas orçamentárias.  

A república de Bananal passou por uma fase de grande crescimento no passado, sob um regime autoritário mas com o fim das mega-obras públicas da época desse regime, que beneficiaram basicamente não mais que  uma dúzia de grandes empreiteiras e um reduzido número de políticos ligados ao regime autoritário, o mercado escasseou. A crise econômica, a inflação desenfreada que se sucedeu ao final do regime levou as grandes empreiteiras a diversificarem suas atividades e as de menor porte fecharam as portas, salvo algumas poucas que permaneceram ativas, graças ao apadrinhamento de políticos importantes. O grupo político que assumiu o poder em Bananal desde então, alijado que estava no antigo regime do acesso aos cofres públicos, veio com muita sede tanto de poder como de privilégios. Antigos políticos ligados ao regime autoritário se bandearam para o seu lado, transferindo o “know-how” das antigas mamatas. Do atacado de grandes obras antes existente, passou-se ao varejo de várias e pequenas obras. A descentralização do poder, levou algumas empreiteiras a criarem escritórios de “lobbies” junto às diversas fontes de obras ou seja, nas Capitais das províncias e na Capital Federal, Bananópolis. Os parlamentares e governantes tinham as verbas orçamentárias mas não sabiam o que fazer com aquele dinheiro? Fácil de resolver. Os lobistas criavam uma obra que atendesse às suas necessidades. O governante queria uma obra de impacto? Os lobistas das construtoras sabendo disso davam sugestões. Que tal um viaduto aqui? Uma avenida ali? Um Monumento acolá? Um espaço Cultural lá e cá? Faziam até investimento nisso. Contratavam arquitetos famosos, construíam maquetes, faziam estudos técnicos e de viabilidade e custos, levavam ao governante ou parlamentar o resultado e estes, caso gostassem da idéia apresentavam ao público como sendo idéia deles.  

Aí, vinha a parte perversa. Para tornar a obra uma realidade, era necessário um Edital de Licitação. Mas a Lei em vigência exigia um projeto completo antes de se licitar a obra. Isso demandava muito tempo e o governante ou o parlamentar não tinha tempo dentro de seu mandato. Mudou-se então a Lei permitindo que as obras fossem licitadas através de projetos básicos que na prática são uma simplificação do projeto completo mas cujo resultado quantitativo tem uma grande margem de imprecisão. Esta imprecisão era resolvida pelo superdimensionamento da obra e dentro desta imprecisão havia a brecha para a propina. Pronto! Juntou-se a fome com a vontade de comer. Garantia de obra e lucro para a empreiteira, garantia de ganho fácil para o parlamentar ou governante padrinho da idéia. Mas como resolver o “problema” da licitação? Afinal, qual a garantia da empreiteira amiga do político ou ministro que ela ganharia a obra? Aí, diversas soluções criativas apareceram. Dentre elas, a mais utilizada era criar um Edital com um número grande de restrições econômicas e técnicas que reduzisse os participantes ou tirasse o incentivo de empreiteiras “paraquedistas” alheias ao processo. Em seguida, reunir aquelas empreiteiras mais “chegadas” e combinar a participação de cada uma mediante recompensas seja no resultado daquela licitação específica ou mediante “rodízio” de obras. O segundo passo: a empreiteira escolhida como vencedora seria encarregada de redigir o Edital de forma a atingir os objetivos. Valores, condições técnicas resolvidos, passava-se à publicação, declarava-se o ganhador e pronto. Obra executada, todos felizes. Dinheiro no bolso de todos.  

Essa prática em Bananal se disseminou em todos os níveis de governo. Com o tempo, muita obra superfaturada foi executada. Começou a dar na vista. Os agentes públicos de fiscalização começaram a investigar. Denúncias começaram a pipocar. Um partido político de oposição que se dizia ético botava a boca no trombone. Aqui e ali, um ou outro político era pego, processado mas não dava em nada. A sensação de impunidade foi crescendo. O olho dos políticos cresceu. Era uma época de poucas obras públicas e a lei de mercado passou a valer. O valor das propinas aumentou pois além da falta de obras, havia uma fiscalização maior. O risco era maior. Até funcionários públicos subalternos se acharam no direito de exigir sua parte no butim..Se antes se cobrava propina dos empreiteiros, pela adjudicação da obra agora, a propina era cobrada na adjudicação, durante a execução para liberar as medições dos serviços executados e depois para receber o dinheiro no caixa. Inventou-se até a propina para incluir uma empreiteira interessada em entrar no rol das privilegiadas. Essa propina se chamava “contribuição de campanha”. O candidato recebia um jabá da empreiteira para ajudar nas suas despesas de campanha e caso eleito, devolvia a ajuda em forma de obras. O político que tinha mandato, pegava o dinheiro de propina da obra em andamento, punha uma parte no bolso e outra ia para o caixa de sua campanha à reeleição. Este fato levou o valor das propinas às alturas. Se quarenta anos atrás uma “caixinha” de 2% era um escândalo, agora a “mala preta” chegava até 40, 50% do valor da obra ou até 100%, no caso das famosas obras “fantasmas”. A disseminação foi de tal forma que o processo se profissionalizou. Os corruptos criaram assessorias para representa-los perante a iniciativa privada e os corruptores criaram departamentos especializados em intermediar as obras junto aos assessores dos corruptos. Um mesmo viaduto ou ponte era oferecido a vários políticos. Já tinha até projeto pronto. O local? Tanto faz. Escolas-padrão(vinham até com o programa educacional pronto)  foram concebidas e oferecidas a diversos políticos. Teve governante que topou.

O processo de corrupção em obras públicas fez escola. Se isto é possível em obras, por que não nas outras compras dos governos, se perguntavam os políticos?  A mesma coisa se perguntavam vários funcionários públicos de carreira que viam o bonde passar e não embarcavam com medo de punição.Mas ao verem que a impunidade acima era generalizada, criaram coragem e suas “panelinhas” de corrupção. Hoje em Bananal, desde alfinetes até ambulâncias passando por  copinho de café, papel higiênico, sabonete,medicamentos, são objeto de processos corruptos e fraudulentos de compra e superfaturamento. Não só políticos e governantes se aproveitam dos esquemas. Até contínuo de repartição pede propina para carimbar um formulário ou passar alguém na frente da fila. Calcula-se que 10% de todo imposto arrecadado naquele país seja gasto em propinas e corrupção. E que este dinheiro daria para comprar (sem superfaturamento, é claro) uma cesta de alimentos para cada habitante de Bananal.  

O partido oposicionista que se dizia ético e botava a boca no trombone contra os corruptos no passado está hoje no poder em Bananal. Seu líder segundo dizem, tem pretensões de passar à história como o maior estadista da história de Bananal. Mas ele aderiu ao sistema. Preferiu prender seu rabo ao grupo poderoso e corrupto de antes.Escândalos de corrupção pública cresceram hoje em número nunca visto antes naquele pobre país tropical. Fosse mesmo um estadista, este líder teria botado um grande número de corruptos e corruptores na cadeia mesmo sendo seus amigos e jogaria a chave fora. Mas não. Conhecidos meus que vivem em Bananal e que se comunicam comigo pela Internet relatam que ele prefere levar o projeto autoritário de poder de seu partido em frente e fingir que nada disso é com ele. Faz ouvido de mercador.Dizem até que ele é um mercador de ilusões.

 Assim, Bananal fica aparentemente mais rico e os bananenses realmente cada vez mais pobres.Salvo os privilegiados de sempre.

(Este é conto de ficção, passado em local fictício, com personagens fictícios. Qualquer semelhança com fatos reais ocorridos em qualquer país do mundo, terá sido mera e infeliz coincidência)

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Olha a KGB petista agindo

Posted by tunico em março 21, 2007

Do ex-blog do César Maia de 21/03/2007:

1. As comunidades de jovens tipo orkut usam uma adjetivação aberta para atrair pessoas ao debate. Nomes chamativos. Assim é comum se encontrar comunidades tipo “odeio…”, “quero ver no inferno…”, “se morrer tanto melhor…”

2. Só que agora a própria Policia Federal -sob comando do PT- resolveu censurar comunidades tipo orkut, que use adjetivações fortes em relação ao presidente ou ministros.

3. Leia esse depoimento:

A) Meu nome é Arthur Rodrigues, sou morador do Rio, tenho 24 anos e mestrando em Direito Internacional na UERJ. Além disso, há muitos anos sou oposição ao governo do Lula. Hoje, no entanto, vivenciei umas das maiores barbaridades que poderia imaginar e por isso venho aqui enviar-lhe este e-mail. Em 2004 fiz minha conta no orkut e na mesma época criei as comunidades, PSDB e Morte ao Lula, além de outras. Ambas fizeram relativo sucesso, até o fim do ano passado quando foram excluídas por razões desconhecidas, mas que eu atribuí a hackers graças à proximidade das eleições.

B) Há três meses, porém, o porteiro do meu prédio indicou que supostos policiais vinham procurar-me na minha casa. Não estava em nenhum dos momentos, assim que sempre pedi ao zelador que solicitasse o telefone aos oficiais, sem sucesso. Procurei a polícia federal em dezembro, mas não souberam me informar. Há poucas semanas, na terceira “visita”, resolveram deixar o telefone e marquei uma reunião hoje (19 de março) às 16:00 horas com o Sr. Arnaldo, da Equipe Bravo, do Núcleo de Operações da Delegacia Fazendária, 2º andar, sala 31, da PF da Praça Mauá.

C) Chegando lá fiquei sabendo que o tema era o orkut e a comunidade do Morte ao Lula. O policial me informou que a solicitação de identificação veio de Brasília, de alguma repartição ligada à Segurança Institucional, pediu que eu confirmasse a autoria do projeto, eu confirmei e afirmei contudo que se tratava de uma alegoria (inclusive havia um cartoon do Lula sendo guilhotinado). O policial continuou, vendo que eu era estudante de Direito (ao que corrigi dizendo que sou formado) disse que se tratava de assunto sério, que eu deveria ser mais cauteloso, etc. Eu respondi que estava no meu Direito Constitucional à oposição, que na própria comunidade diversas vezes foi dito que o objetivo não era a formação de qualquer projeto assassínio, que éramos pacíficos, etc.

D) Finalmente, no fim do dossier, havia uma notícia, não sei de qual jornal, que dizia do acordo entre a PF e o Google, de excluírem comunidades diretamente. O que me causou espanto foi a coincidência do período (que não sei dizer quando ao certo) entre a exclusão entre as comunidades do PSDB e esta contrária ao presidente. Não sou filiado a nenhum dos partidos e atualmente estou bastante distanciado de quaisquer atividades políticas.

Agradeço imensamente a atenção dispensada,

Arthur Rodrigues.

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Arquivo 10 – 30/7/2005

Posted by tunico em março 12, 2007

Esse diálogo é demais!

O aval – tragicomédia

Deputado Indeterminado:
Com a palavra o nobre senador Insosso.
Senador Insosso:
Muito obrigado, presidente.
Burburinho. Campainha.
Senador Insosso:
Senhor presidente, assim não é possível, não tem cabimento.
Campainha (três vezes).
Senador Insosso, para o depoente:
O senhor é ou já foi eleitor do Partido dos Sonhadores?
Depoente:
Sim, senhor senador.
Senador Insosso:
É ou já foi?
Depoente:
Eu já fui, senhor senador.
Senador Insosso:
Muito bem.
O senhor votou quantas vezes nos candidatos do Partido dos Sonhadores?
Depoente:
Não posso lhe informar, senhor senador.
Sinto muito, infelizmente eu não sei.
Senador Insosso, visivelmente irritado:
O senhor tem consciência de que ao contrário dos outros depoentes que passaram por esta comichão o senhor não tem advogado e não está protegido por um habeas-corpus e portanto deve responder a todas as perguntas e está constrangido a dizer a verdade sob pena de sair deste recinto para uma prisão brasileira?
Burburinho. Campainha.
Depoente:
Sim senhor senador, tenho consciência disso, eu acho.
Senador Insosso:
Então quantas vezes Vossa Senhoria votou nos candidatos do Partido dos Sonhadores?
Depoente:
Foram várias vezes, senhor senador. Inúmeras vezes.
Senador Insosso:
Inúmeras vezes?
Depoente:
Sim senhor, inúmeras.
Burburinho.
Deputado Indeterminado:
Com a palavra o nobre deputado Ambas Aspartes.
Deputado Ambas:
Obrigado, Excelência.
Senhor José, descreva suas relações com o Partido dos Sonhadores.
Depoente:
Nunca fui filiado ao Partido dos Sonhadores.
Deputado Ambas:
Mas foi militante.
Depoente:
Participei de reuniões com militantes. Fui às ruas durante as eleições. Distribui panfletos nos cruzamentos. Sempre acreditei no sonho.
Silêncio.
Deputado Ambas, peremptoriamente:
Senhor José, o senhor já esteve em assentamentos do Movimento dos Sem-Terra?
Depoente:
Sim senhor, certa vez estive, com colegas…
Senadora Indignada:
Pela ordem, senhor presidente, pela ordem!!!
Deputado Indeterminado:
Com a palavra, pela ordem, a digníssima senadora Indignada.
Senadora Indignada:
Até quando seremos obrigados a conviver com a desfaçatez desta camarilha palaciana…

Repórter com microfone em alto-falante encobrindo a voz da senadora Indignada:
Diretamente do Congresso Nacional estamos acompanhando na íntegra mais um depoimento da Comichão Parlamentável Incerta. Pelo número de parlamentáveis inscritos o depoimento do cidadão José Inocente Útil ainda deve durar mais cerca de doze horas. Quem está falando agora é a senadora Indignada do Partido do Sonho Impossível. Ela acaba de interromper o deputado Ambas Aspartes, do Partido do Bom Patrão e como todos sabem (tentando ser engraçada) a senadora costuma fazer longos discursos…
Âncora, também no alto-falante, tentando parecer interessado:
Mas, Poliana, quer dizer que realmente a senadora Indignada interrompeu o deputado Ambas Aspartes?
Repórter, em meio a um grande burburinho:
Sim, mas agora o que está acontecendo é que os outros deputados e senadores do Partido do Bom Patrão fizeram uma manifestação de repúdio ao deputado Sujeito Indeterminado, que é do Partido Social Burocrata e preside esta CPI. Enquanto isso, (totalmente perdida) os integrantes do Partido dos Sonhadores que ainda permanecem ameaçaram se retirar daqui desta sala do plenário onde se reúne a Comichão Parlamentável Incerta. Mas mesmo assim a senadora Indignada continua fazendo o seu longo discurso, depois de ter interrompido o depoente enquanto o deputado Ambas Aspartes fazia perguntas, vamos ouvir a senadora…

Senadora Indignada:
Portanto é por isso que eu dediquei os melhores anos da minha vida a este sonho e não serão vocês que conseguirão me convencer do contrário porque eu sou o sal desta terra e se o sal não salga então ou é porque não pode deter a corrupção ou é porque a corrupção não quer recebê-lo e precisa ser detida…
Burburinho. Campainha.
Deputado Indeterminado:
Com a palavra o deputado Deletério.Deputado Deletério:
Senhor José Inútil… Inocente Inútil…
Deputado Indeterminado:
É Inocente Útil, deputado.
Deputado Deletério, com certa insegurança:
Senhor José Inocente, diga o seu nome completo, por favor.
Depoente:
O senhor já disse o meu nome, deputado.
Deputado Deletério:
Mas realmente é um desrespeito mesmo, senhor Inútil. O senhor não pensa na honra de sua família e de sua cidade? Vou lhe dizer, para que o senhor saiba, senhor Inútil, que eu na minha cidade sou muito conhecido e respeitado. Em minha empresa, senhor Inútil, eu tenho não sei quantos mil empregados. Não sei quantos mil empregados! O senhor está me ouvindo? E todos eles, senhor Inútil, todos os meus não sei quantos mil empregados votaram em mim e neste exato momento estão todos acompanhando a minha atuação aqui nesta Comichão Parlamentável Incerta, que por sinal tem sido tão bem conduzida pelo meu conterrâneo e companheiro de partido, meu grande amigo, o nobre deputado Sujeito, que tanto fez por mim e pelos meus não sei quantos mil empregados e por todo o meu eleitorado. Portanto eu lhe pergunto, senhor Inútil, em nome da Nação, o senhor já fumou maconha?

Depoente:
Com todo o respeito que lhe devo, que é muito, senhor deputado Deletério, eu me reservo o direito de permanecer calado sobre esse assunto, nobre senhor deputado.

Burburinho. Campainha. Burburinho.

Deputado Deletério:
Mas o senhor não tem dinheiro para pagar advogados, senhor Inútil, o senhor não tem habeas-corpus, o senhor é obrigado a responder à minha pergunta.

Deputada Meritíssima:
Pela ordem, senhor presidente. O cidadão tem o direito de permanecer calado.

Deputado Deletério:
Senhor José Inocente, o senhor alguma vez já esteve pessoalmente com Vossa Excelência o Excelentíssimo Presidente Nulo?

Murmúrio de espanto.

Depoente:
Nunca estive, senhor deputado.

Deputado Deletério:
O senhor afirma que nunca o viu pessoalmente?

Depoente:
Quer dizer, eu o vi pessoalmente, mas estava longe, no meio da multidão…

Deputado Deletério:
O senhor afirma que o presidente Nulo estava no meio da multidão?

Depoente:
Não senhor, eu estava no meio da multidão, ele estava sobre um palanque e ainda não era presidente.

Deputado Deletério, depois de observar o depoente por alguns instantes:
Já esteve alguma vez pessoalmente na sede do Partido dos Sonhadores?

Depoente:
Não posso falar, senhor deputado.

Deputado Deletério:
Por que não? Não se lembra?

Depoente:
Não porque não me lembre, senhor deputado, mas porque isso tudo é demais para a minha cabeça.

José Ninguém,
Julho de 2005.

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Arquivo 9 -11/07/2005

Posted by tunico em março 12, 2007

Estou envergonhado

Quem já não ficou com vergonha das atitudes de outra pessoa mesmo que esta pessoa não seja de seu relacionamento próximo?

Eu fiquei.

Vendo o discurso do Lula na sexta-feira ao dar posse aos novos ministros, senti muita vergonha de ter em nosso país um presidente tão medíocre . Enquanto as crises explodem em torno dele, praticamente demolindo o partido pelo qual se elegeu e que construiu, limitou-se o nosso primeiro mandatário a tergiversar sobre sexo, controle de natalidade, aconselhar o povo a tomar vinho em vez de remédios que é melhor, reeditar a campanha do “mexa-se” e (coisa incrédula!) desqualificar o cidadão que reclama não ter dinheiro para comprar remédios, recomendando que comprem um pouquinho de cada vez, para não ficar sem dinheiro.Antes desse episódio, patrocinou uma festa julina na Granja do Torto com direito a rojões e traques, enquanto as denúncias de corrupção iam como bombas de alto teor de TNT explodindo ao seu redor. Cancelou Medidas Provisórias (teoricamente urgentes e relevantes), para desobstruir a pauta de votações da Câmara e permitir votação de CPI chapa-branca para ocultar as maracutaias governamentais.

É de ficar corado de vergonha.

Realmente Lula está se portando como um alienado. Nada é com ele. Não sabia. É problema dos outros. Do Dirceu, do Genoíno, do Delubio, do Silvinho, hoje chamados pela mídia de “Gangue dos Quatro” . Lula está levando às últimas conseqüências a postura típica petista de acusar os outros pelo que há de ruim no Brasil.Só que agora, os “outros” são os companheiros de seu partido.Ele é a reedição masculina, tropical e contemporânea de Maria Antonieta.

Que coisa triste!

Espero sinceramente que boa parte dos 53 milhões que votaram nele em 2002 também estejam envergonhados e pensem bastante em 2006 antes de votarem em alguém que cada vez mais nos deixa envergonhados. Envergonhados de termos representantes deste baixo nível, mentirosos, incompetentes, alienados por conveniência, que fazem com que nosso país continue sempre do mesmo jeito.

Este hoje é meu sentimento.

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Arquivo 6 – 3/06/2005

Posted by tunico em março 12, 2007

Este artigo, reflete claramente as idéias que vão na cabeça de muita gente sobre o desempenho do atual (des)governo.Interessante deixá-lo aqui transcrito.

ARNALDO JABOR O ESTADO DE S.PAULO
 

Terça-feira, 31 de maio de 2005 A maldição do monstro do ‘mesmo’

Estou com saudade de 1994. O Plano Real tinha dado certo, o Brasil tinha ganho a Copa do Mundo, os dias eram azuis e estava sendo eleito um presidente novo, com palavras novas, representante da elite cultural que sempre esteve fora do poder. FHC venceu, apesar da inveja assustadora de seus colegas de Academia, e era um político que trazia nova “agenda progressista”, que até então se resumira a um confuso sarapatel de “rupturas” revolucionárias, vagos sonhos operários, tudo numa algaravia de conceitos getulistas, terceiro-mundistas e leninistas que nos levaram às derrotas desde 35 até 68. FHC era a única coisa nova que surgira, além do Lula de 1980, com a política sindical de resultados, uma primitiva social-democracia. FHC chega ao poder acentuando a importância da democracia e da reorganização republicana. Apesar das críticas mecanicistas que sofreu (“neoliberal”, submisso a Washington, aliado a ACM), nada apagava sua novidade: vitória sobre a inflação, a substituição da utopia pela “política do possível”, troca de “solução” por “processo”, responsabilização da sociedade civil, etc… Vivíamos um otimismo inédito na política brasileira, com uma fé na “razão” até ingênua, diante das sabotagens fisiológicas que viriam, comandadas pelo museu leninista do PT.

Pela primeira vez na vida, tive esperança de uma mudança profunda no País. FHC chegara numa época propícia, depois do imenso trauma da Era Collor, que nos dera uma grande fome de limpeza ética e de República. Além disso, a chamada sociedade civil estava orgulhosa por sua reação altiva no episódio do impeachment.

Collor teve o “mérito” de ser uma espécie de explosão da caldeira da sordidez, uma maquete dos vícios nacionais que nos trouxe um desejo de decência política. Os aliados a que FHC se ligou estavam ainda acoelhados depois da chuva de lixo do período Collor e isso permitiu que ele contasse com as alas mais “modernas do atraso” (oh… supremo oxímoro!..) para introduzir práticas renovadoras. A inflação zero ajudou muito nesse otimismo e, mesmo errando aqui e acolá, FHC conseguiu um upgrading político no País, propiciando a eleição de Lula que, aí sim, com 25 anos de espera, foi saudada pela esquerda e pelos intelectuais como uma injeção de “povo” no mundo “de elite” de FHC. Os anos FHC foram um saneamento básico, uma psicanálise do imaginário político, e seu governo não pode ser julgado apenas por um viés economicista, apesar dos erros e das quatro crises internacionais que enfrentou. Deixou uma “herança bendita” agora em plena desconstrução.

A atitude do PT, querendo enfiar marxismo na “insuficiente democracia”, foi decompondo o movimento de renovação que o PSDB tinha conseguido, apesar de tudo. A importância da administração e das reformas internas, a importância da sutileza nas articulações interpartidárias foi destruída pela ansiedade e truculência dos bolchevistas chegados ao poder. A verdade é que os petistas sempre desconfiaram da democracia “burguesa”, tentando usá-la como um meio para chegarem não se sabe a quê, talvez a um socialismo imaginário. Não entenderam com suas doenças infantis que a democracia não é um meio, mas um fim em si mesma. Hoje, a equipe de Palocci, os dois ministros “neoliberais” Furlan e R. Rodrigues (todos debaixo de fogo amigo) são a única coisa que resta dessa época de mudança. Hoje, vemos que a novidade petista no poder foi, na realidade, um regresso ao passado. Hoje, vemos que o horror brasileiro está retomando sua forma inicial, como o rabo de um lagarto se recompondo.

Quando vi o Roberto Jefferson reformando sua silhueta de elefante, ficando magro como um disfarce de si mesmo, invadindo acintosamente as estatais endinheiradas, entendi que a Era Collor estava viva e voltava como um retorno do reprimido, como panela de pressão destampando. A confusão mental petista e sua genuflexão aos fisiológicos lhes permitem um descaramento sublime. Alguma coisa essencial está fazendo água no País. Já dá para ouvir a ouverture da ópera-bufa, a volta da tradicional maldição do “Mesmo”, a grande empada maldita de canalhas patrimonialistas que clamam pelo Atraso.

FHC anestesiava-os habilmente, mas o PT no poder perdeu a catadura barbuda e temida. E os sem-vergonhas perderam o respeito pelo governo. Os equívocos do PT são retratados por dois fatos recentes: Dirceu e Genoino ajoelhados aos pés de Garotinho e Jefferson e as lágrimas de crocodilo do Suplicy. Falo essas coisas, mas não desejo o mal para o governo atual; claro que meus inimigos não acreditam, mas falo com a remota esperança de que alguma coisa seja ouvida. Será que ninguém muda? Onde está o velho hábito comuna de fazer autocrítica? Os petistas querendo agir dentro do “sistema” estão virando caricatura dos fisiológicos que desprezavam.

Estamos andando de marcha à ré. Não é apenas o escândalo com a depravação, mas o desânimo da população em relação à sua impunidade, é a ausência de alguma agenda política, inexistência de sucessos. Espalha-se pelo Brasil um sentimento de caos, muito além da política; é quase uma peste antropológica que se reativa.

Há mais de um ano, falei em perigo de “neojanguismo” (antes do FHC). Quando falei isso, não me referia ao golpe de 64. Falava do período anterior ao golpe, quando grassava a ilusão utópica, bravatas populistas para substituir possibilidades de progresso, a convocação do imaginário para substituir a realidade.

Se eu fosse o Lula (oh… sonho ambicioso…), parava de me deslumbrar com a própria trajetória, emagrecia como o Roberto Jefferson e botava para quebrar, como o velho Lula de 80: rompia alianças, despedia gente, rompia com corruptos notórios, mudava o ministério para técnicos competentes e tentaria recuperar o respeito. Ficaria mais só; mas, e daí? Qual a vantagem do presidencialismo de coalizão se o governo não consegue emplacar nada? Coalizão ou não coalizão, nesta altura, tanto faz….

ARNALDO JABOR

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Arquivo 5 – 3/6/2005

Posted by tunico em março 12, 2007

Crônicas da classe média brasileira

Cenário: “Pai trabalhador e filho estudante dentro do carro a caminho da escola”

Filho: Pai, já que roubaram o som do carro vamos conversar um pouco?
Pai: Claro filho
Filho: Pai, o que é inclusão social?
Pai: Bom filho, é que muitas pessoas têm muito e outras nada têm, a inclusão consiste em dar direitos iguais a todos.
Filho: Ah ta, os integrantes do MST são um exemplo de excluídos né?
Pai: Isso filho.
Filho: Pai, o que eu devo ser quando crescer?
Pai: Bom, primeiro escolha uma profissão que você goste, depois estude muito, mas muito mesmo e depois trabalhe muito mais, dia e noite, só assim você será alguém na vida.

(Atrasados para a escola, o pai pára sobre a faixa de pedestres e é multado, além de ser maltratado pelo policial).
Filho: Pai, o que houve?
Pai: Fomos multados filho
Filho: Mas por que?
Pai: Porque estávamos bloqueando a passagem filho.
(Um pouco adiante o trânsito pára, a marcha do MST está passando).

Filho: Pai, por que eles estão bloqueando nosso caminho?
Pai: É a marcha do MST filho.
Filho: Ah tá, e aqueles policiais estão multando eles né?
Pai: Não filho, estão escoltando eles.
Filho: Ué, mas nós estávamos bloqueando a passagem e fomos multados e maltratados, e eles estão bloqueando tudo e são escoltados?
Pai: (silêncio)
Filho: E o que é aquilo ali?
Pai: É o refeitório deles
Filho: Ah sei, lá eles gastam aqueles vales-refeição igual ao seu,que a pessoa ganha da empresa na qual trabalha.
Pai: Não filho, o governo paga a alimentação pra eles.
Filho: Ué, e por que não paga pra você também?
Pai: (silêncio)
Filho: E aquela ambulância lá? Ah já sei, é por causa do plano de saúde que eles pagam né, como você, paga pra poder ter assistência médica né? >

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Pai: Não filho, eles não pagam plano de saúde.
Filho: Ué, não entendi.
Pai: É o governo que está pagando essas ambulâncias que você está vendo.
Filho: E por que você paga plano de saúde então?
Pai: (silêncio)
Filho: Por que a maioria deles está com rádio?
Pai: Porque o governo doou 10.000 radinhos pra eles se comunicarem.
Filho: Pô e a gente sem som no carro, e você fala que precisa trabalhar pra comprar outro, vamos pedir pro governo então.
Pai: Eles não nos dariam filho.
Filho: Ah, já sei. Você reclama que paga 40% de tudo que ganha pro governo, mas com certeza eles pagam muito mais né? Eles têm todas essas regalias.
Pai: Não filho, eles não pagam nada.
Filho: Como assim?
Pai: (pensativo, em silêncio).
Filho: Pai quero parar pra falar com eles.
Pai: Não adianta filho, eles só falam através de assessor de imprensa.
Filho: Que legal, vamos contratar um assessor de imprensa pra nós pai?
Pai: Filho isso é muito caro, eu precisaria trabalhar o triplo do que trabalho pra poder pagar um assessor de imprensa.
Filho: Mas eles nem trabalham e têm?
Pai: Mas é o governo que paga filho.
Filho: Pai, não foram eles que invadiram um prédio público e fizeram a maior bagunça?
Pai: Foram sim filho
Filho: E o que aconteceu com eles:
Pai: Nada filho
Filho: E por que eu fiquei de castigo e levei uma baita bronca porque quebrei a lâmpada do poste jogando bola.
Pai: Porque você tem que cuidar e respeitar o patrimônio público filho.
Filho: E eles não precisam?
Pai: (silêncio)
Filho: Pai vamos com eles?
Pai: Claro que não filho, você precisa estudar e eu preciso trabalhar.
Filho: O QUE? PODE PARAR, EU VOU COM ELES, APRENDI QUE OS EXCLUÍDOS SOMOS NÓS, QUERO MINHA INCLUSÃO JÁ (desce do carro e se junta à passeata).
Pai: (silêncio …).

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Comentários pós-visita de Bush

Posted by tunico em março 10, 2007

Bush foi embora. Salvo as manifestações do pessoal do Jurassic Park da UNE e dos esquerdóides de sempre que aliás nem foram percebidas pelos americanos, a visita foi tranquila. São Paulo de quebra ganhou um banho de loja. Foi firmado um protocolo de intenções sobre o etanol que já era previsto. Mas o que vale são as intenções, certo? O Brasil apareceu na fita. Agora o mundo sabe que nós somos um país etílico. Não é só o nosso presidente.

Don´t you agree, Mr. Larry Rother?

Mas o que me incomodou e deve ter incomodado muita gente foi a irreverência anti-protocolar do Apedeuta pacau. Afinal, um presidente de um país se não tem educação refinada, deve pelo menos procurar manter as aparências.

Ele deve estar na andropausa e porisso deu para falar de sexo todas as vezes que tem oportunidade. Eu bem que queria saber qual seria o Ponto “G” da Rodada de Doha. Se alguém souber, me diga. Aliás, essa senhora a Dona Rodada, que deve morar em Doha, deve ser uma mulher muito sexy a ponto de Lula ter se encantado com ela. Lula deve mesmo ser muito íntimo de Bush como ele apregoa para sugerir que os dois devem encontrar seu Ponto”G”. Imaginem o que D. Marisa deve ter dito a Lula em casa depois do encontro. No mínimo pegou o pau de macarrão e como boa cidadã italiana deve ter chamado o pacau às falas. “Quem é essa zinha, seu malandro? Como é que você convida em público o Bush para uma bacanal?”

Enquanto isso, li que o Chapolim e o Gardelón em Buenos Aires se viraram para o Oriente numa tosca imitação do rito muçulmano que se vira para Meca para orar e junto com 30 mil “hermanitos” pediram ao Tabaréu para não se subjugar ao Bush. Tenho a certeza que ele não ouviu. São mais de 40 km de distância. Ninguém consegue gritar tão alto.

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Casos mal explicados

Posted by tunico em março 3, 2007

Todos souberam do assalto no sítio em Ibiúna/SP do amigo do ministro Guido Mantega na terça-feira de Carnaval. Assalto com sequestro. Enquanto o ministro, sua esposa e outros presentes ficaram submetidos aos assaltantes, o seu amigo, dono do sítio foi levado em companhia dos bandidos até São Paulo, onde retirou 20.000 reais de resgate, voltaram ao sítio e depois foram liberados.Num feriado, onde o amigo do Manteiga conseguiu o dinheiro? Foram só 20.000 reais?  De Ibiúna até São Paulo, são cerca de 60 km. Uma hora para ir, outra para voltar, mais o tempo de se conseguir o dinheiro. Ou seja, mais ou menos 4 horas. Ninguém deu queixa.O amigo do Manteiga disse que não daria pra reconhecer os bandidos pois estavam encapuzados. Circular nas ruas de São Paulo num carro em companhia de encapuzados deve dar bandeira. A menos que o carro do amigo do ministro tenha vidros com película escurecedora, 90%, o que é contra a lei. O fato só foi divulgado graças a um empregado do sítio que chamou a polícia. O fato só foi divulgado dois dias depois. Estranho.Muito estranho. Um ministro de Estado, sofre um assalto e com todas suas prerrogativas não chama nem o colega da Justiça para acionar a Polícia Federal? Estranho. De novo, muito estranho.A menos que o Manteiga tenha se derretido de medo.

 MUITO ESTRANHO! TEM GATO NESSA TUBA.

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Rápidas observações do cotidiano brasileiro

Posted by tunico em fevereiro 28, 2007

  • Desde que o pão francês de 50 g. passou a ser vendido a quilo, dificilmente achei nas padarias pão com esse peso.Só maior.Hoje comprei 4 pães, cada um com pelo menos 65 g. Antes, quando se comprava por unidade, o pão sempre vinha com menos peso que 50 g. Se os padeiros ganhavam no peso antes , continuam ganhando hoje, pois ninguém compra pão francês por peso e sim, por unidade.E eles pesam o saquinho junto.Se pelo menos o saquinho fosse comestível…
  • Por várias oportunidades, no final da tarde, flagrei amarelinhos do CET na Av. Henrique Schaumann x Av. Sumaré, escondidos atrás de árvores, literalmente na moita, multando a não mais poder. Da próxima vez vou fotografar e mandar pra todo mundo.Quero ver se o Kassab chama estes amarelinhos de vagabundos…
  • Tenho assistido a muitos debates sobre diversos temas no Globo News. Todos os convidados para o debate que defendem o governo lulo-petista, apresentam duas características em comum: a) são barbudinhos; b) sempre encontram uma forma de encaixar os termos “nunca antes nesse país” ou “nunca visto nos últimos 15 anos”. É. Fidel e Goebbels são mesmo seus ídolos.
  • Vi no Globo News Painel um debate sobre violência entre o ex-Secretário Nacional da Segurança Pública, o antropólogo Roberto da Matta e um sociólogo uspiano-petista. O primeiro dá soluções de urgência para combater a violência como aumento da repressão, punições mais fortes além das soluções a médio e longo prazo, de educação, melhoria do sistema prisional, etc e tal.O segundo põe o dedo na ferida que é a impunidade que grassa no país, partindo lá de cima, do governo e dos políticos, e como antropólogo,crava: 5% dos animais, inclusive a espécie humana é deformada,sociopata e deve ser alijada da sociedade quando comete atos bárbaros contra seus semelhantes. O terceiro diz que a culpa é da sociedade e dos governos anteriores ao de Lula que nada fizeram para evitar a violência crescente. Quem é o falso entre estes 3?
  • Em outro programa, o Ministro da Reforma Agrária responde a Alexandre Garcia que nunca antes neste país se assentou tantos sem-terra como agora.Mentira. 80% dos assentamentos foram feitos no governo FHC. Alexandre o lembrou disso.Ao que o petista cara de pau disse que tais assentamentos foram malfeitos e o governo Lula teve que corrigir.Quando Alexandre Garcia perguntou o que ele achava do fato do MST não existir oficialmente e portanto ser inimputável perante a lei, na maior desfaçatez respondeu que o MST é um movimento de fato e deve ser respeitado e ouvido pelo governo. Onde está o Direito?
  • Um barbudinho chamado Erasto Fortes da UNB em outro programa, diz à repórter Claudia Bontempo que nunca se fez tanto pela educação neste país como agora.
  • O melhor mesmo foi ver na TV Senado senadores da oposição como Artur Virgílio, ACM e Tarso Jereissatti defendendo o Presidente do Banco Central do governo do pacau enquanto o arrogante Mercadante o atacava. Surrealíssimo!

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O uso político do acidente do Metrô em SP

Posted by tunico em janeiro 18, 2007

Sou engenheiro civil militando há 33 anos na área de consultoria e projetos. Não sou um expert na área de construções subterrâneas mas aprendi na Universidade e na vida profissional a usar o que o engenheiro deve ter de melhor. Técnica e bom senso.

O desabamento da parede do poço de acesso da estação Pinheiros do Metrô ocorrido na última sexta-feira, 12 de janeiro, deve ter ocorrido por uma sucessão de erros. Acidentes graves em obras civis só ocorrem por esta causa. Tais erros, só saberemos após a perícia. Antes disso, qualquer suposição será mero chute. Identificadas as causas do colapso do terreno através de estudos e investigações sérias e detalhadas, os culpados aparecerão e as ações corretivas e punitivas decorrerão dos relatórios especializados.

Estamos assistindo pela mídia as coisas mais absurdas como depoimentos de leigos palpitando livremente sobre as causas do acidente, entrevistas com técnicos que não participam diretamente das obras (os chamados engenheiros de obra pronta), gente não qualificada a dar diagnósticos como por exemplo geólogos tergiversando sobre um assunto que não lhes compete como mecânica de solos e geotecnia que é exclusividade do engenheiro civil, eminentes colegas engenheiros civis, especialistas acadêmicos que absolutamente não participaram do projeto nem da obra mas se reservam o direito de criticar aquilo que não viram de perto, jornalistas, apresentadores de televisão escandalosos e mal-intencionados  cobrando providências e punições urgentes do poder público como se tais providências e ações estivessem na prateleira para serem usadas e outras babaquices.

Depois, assistimos o pessoal do Ministério Público, todo engravatado, saído de suas salas refrigeradas direto para o local das obras disposto a indiciar todo mundo antes que alguém especializado diga quem deve ser indiciado.

Finalmente, coisa que já esperávamos, a exploração política do fato adivinhem por  quem? Claro! Pelo pessoal do PT, pedindo uma CPI, exigindo a paralização das obras, culpando o governo tucano, apoiado em declarações dos sindicalistas petistas do Metrô que nunca se conformaram com o fato do contrato desta linha ter sido feito no regime “turn-key”.

O objetivo político dos parlamentares petistas é bombardear o recém-empossado governador José Serra, forte candidato à sucessão de Lula em 2010. A inauguração de parte da obra estava programada para 2008 e se for adiada será um ônus político para o governador de São Paulo.

O regime contratual escolhido pela Cia. do Metrô em 1994 ainda no governo Covas, foi a forma de unificar responsabilidades, reduzir prazos de execução e saber exatamente quanto a obra custaria facilitando a administração do orçamento da Cia. Do Metrô. Antes era muito comum orçar uma obra por um valor “x” e no final ela custar “3x” onde normalmente “2x” eram desperdiçados em má administração e desvios de verbas.Um exemplo disso foi a execução da Linha Paulista do Metrô, obra fácil de ser executada devido ao ótimo sub-solo da região e que custou no final o mais caro metro de túnel do mundo à época (disseram as más línguas à época que para cada real gasto na obra outro real foi desviado para campanha política).

Esta forma de contrato é muito comum em obras de engenharia de grande porte no mundo todo. Por exemplo, o Túnel do Canal da Mancha foi contratado nesta modalidade.

O consórcio vencedor da licitação internacional é constituído pelas 5 maiores empresas de construção pesada do Brasil, com extenso curriculum em obras similares inclusive no exterior. O Metrô de Lisboa foi executado por duas destas empresas.

O projeto básico e conceitual que serviu de referência para a licitação foi elaborado pelas mais conceituadas empresa de engenharia do Brasil, responsáveis pela maioria dos projetos de metrô em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Caracas,  bem como pela extensão do Metrô de Lisboa.

Houve imperícia, negligência ou imprudência? A culpa foi de São Pedro? Foi erro de projeto ou de obra? Não sabemos. Seria uma imbecilidade apontar causas ou culpados neste momento.Teve gente do MP que fez isso, pasmem!

Utilizando o bom-senso, imprescindível nestas horas, é imperioso que se aguarde o resultado das perícias e análises das causas do acidente para então sim, responsabilizar quem de direito e indenizar a quem compete.

O resto é notícia para vender jornal, aumentar audiência e auferir ganhos políticos.

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