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APROVEITAMENTO DO LIXO URBANO

Posted by tunico em junho 27, 2008

A produção de lixo urbano no Brasil é de 240 mil toneladas de lixo por dia. Somente 2% deste volume é reciclada.

88% deste lixo vai para aterros sanitários. São 211 mil toneladas que ocupam espaço, degradam o ambiente, geram doenças, são áreas de proliferação de animais daninhos à saúde humana como os ratos.. O chorume e o gás metano geram dois tipos de poluição. Um se infiltra no solo e contamina os lençóis freáticos com o seu alto teor de acidez e bactérias. O outro se espalha na atmosfera ajudando a causar o efeito estufa. Em alguns aterros, se implantou um sistema de captação de gás metano para gerar energia. Este processo porém só consegue captar 5% do gás, os outros 95% ou são emitidos para a atmosfera ou ficam contidos na massa de lixo compactada nos aterros.

Para se constatar o problema, basta visitar o Parque Villa –Lobos à beira da Av. Marginal do Rio Pinheiros em São Paulo. Construído sobre um antigo aterro sanitário, as árvores ali plantadas em um belo projeto de Décio Tozzi depois de 15 anos, não passam de 3 ou 4 metros de altura pois suas raízes estão imersas num meio extremamente ácido e impróprio ao desenvolvimento das plantas.

A grande solução, hoje altamente viável e já implantada em vários países desenvolvidos é a incineração do lixo, cujo nome técnico é RSD (Resíduos Sólidos Urbanos) com um componente adicional importante. Geração de Energia Elétrica.

Nestes tempos de crise de petróleo, de esgotamento das jazidas de carvão, enfim do final próximo e anunciado das reservas de combustíveis “não renováveis”, altamente poluentes, utilizar um combustível “renovável” – pois que cada cidadão gera em média 1,2 kg de lixo por dia – é uma solução que amenizará a não tão longínqua crise energética brasileira.

No caso dos grandes centros, esta solução representa ainda um ganho ambiental considerável pois a médio prazo elimina os famigerados aterros sanitários, permitindo a recuperação das áreas degradadas, melhorando as condições sanitárias da população.

O Brasil para crescer a modestos 3,5% do PIB ao ano, necessita injetar na sua matriz energética 3.000 MW por ano. Essa potência significa uma usina hidrelétrica de grande porte como a usina de Santo Antonio que começa a ser construída agora no Rio Madeira.

A incineração de 1000 toneladas/dia de lixo em usinas térmicas construídas especificamente para tal pode gerar de 22 MW até 30 MW a depender da tecnologia empregada. O custo de implantação médio é de R$ 5.000,00 por kW gerado . Este custo é 50% superior ao custo de uma usina hidrelétrica de grande porte mas é compatível com o custo de uma PCH (pequena central hidrelétrica) que hoje gira em torno de R$ 4.400,00/kW.

O potencial teórico de geração de energia através do lixo brasileiro seria de 6.300 MW, equivalente a 2 vezes a usina de Santo Antonio. Energia suficiente para abastecer 1/3 do Estado de São Paulo.

Somente a Grande São Paulo, produz cerca de 12 mil toneladas de lixo por dia. O potencial líquido de geração só na Grande São Paulo seria de 360 MW ou metade da Usina Nuclear de Angra dos Reis. A se considerar que o consumo médio mensal por domicílio residencial em São Paulo é de 150 kWh, somente com a energia gerada do lixo, poder-se-ia abastecer 1,7 milhões de residências.

Hoje no mundo, existem mais de 90 usinas deste tipo processando resíduos e gerando energia. A cidade de Berlim é 100% abastecida com energia elétrica provinda de usinas térmicas que queimam lixo urbano, resíduos industriais e agrícolas.

Por que no Brasil este tipo de solução não é implantado?

(A foto acima é de uma usina em Detroit-EUA que processa 4.000 toneladas de lixo por dia e gera 68 MW de energia elétrica, suficiente para abastecer 220.000 domicílios daquela cidade.)

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